sábado, 31 de dezembro de 2011

sábado, 24 de dezembro de 2011

O prisioneiro

As algemas não se calavam perante às lágrimas do criminoso.
- Calem-se, desgraçadas! - berrava o homem; as algemas continuavam tagarelando.
As correntes riam.
O homem chora.
O homem grita.
O homem contorce.
Cela, solidão.
-Traídoras!

Há. Há. Há. [...] Há.
Pega. Palma. Pomo. Para.
Cava. Cova. Como. Cala.
Sorri. Chora. Chuta. Geme.
Goza. Cava. Cova. Treme.
Morre.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Ao ar livre

O poeta escrevia
aos pássaros, cada poema que escrevinha
era escrito com sua vitalidade.

O poeta escrevia
às árvores já caídas, com dor, sentia
que ali esvaía a vida.

O poeta escrevia
às pessoas que alí passavam, indiferentes
ao poeta, que consideravam ser (apenas) um velho mendigo.

O velho escreveu
que ele era pássaro, árvore, mendigo
que não precisava de um teto, pois ele era vida.

E poeta.

Sem teto

escrevia o poeta ao ar livre.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Alguém.

Eu
Você
e ninguém.
Basta eu
sem você
nem ninguém.
Você,
nem comigo,
com ninguém.
Eu.
Com você
e mais ninguém.

Paixão

Só bastaria seus lábios, selando aos meus tudo aquilo que sentimos.

Solidão

O calor de seus abraços
o simples e singelo detalhe
do sentimento em seu beijo doce,
tua pele colada à minha
suor e sussurros

sonhos não deviam ser feitos para dois.

Implante

Os pequenos nuances das curvas de seu corpo,
a maciez de sua pele
e o calor de seu toque
só fazem meu corpo sentir


nojo.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

como um devenir

Mais surpreendente do que o próprio tempo é o modo o qual reagimos com ele. A partir do momento que você adota uma rotina (por mais forçada que seja, para estudos ou trabalho) você é escravo do tempo naquele período. É fácil se acostumar à esta rotina, gostando ou não da atividade prestada (ao tempo). E então você vive, preso naquilo, como um compromisso, uma aliança. Sua vida segue. Após alguns meses, ou anos, você a quebra repentinamente. Por escolha, deixa uma semana para total descanso, criamos o ócio, e somos capazes de envelhecer meses em apenas dois dias. Um mês pra cada dia, no mínimo. O futuro próximo parece incabível. Quase utópico. Ansiedade e expectativa, o cortisol sobe a um nível tão extremo que praticamente não temos controle da ação.

Dê tempo ao tempo e o tempo o temporizará.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Odeio a situação desprivilegiada, a distância. Falta. Eloquência usurpadora. É desprivilegiado quando sabe que está fraco. Fraco, pois se sente assim, sem necessidade. Posso odiar também a falta de motivos. Não. Motivos todos podem ter e guardar como segredo de si mesmo.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Morte

Tu que partes o coração pela alma
o sentimento que te quebras pela droga
da companhia enfeitada da ilusão
comparada aos traços de sua agonia

não mereces nada mais que a vida.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

deuses e Deuses - o círculo de Etros 2

And I...
I know what God thinks.
God thinks you're a waste of flesh,
God prefers an Atheist.


Devo expor diretamente minha opinião pessoal antes que queiram quebrar tudo por aqui. A única crença quase celestial que tenho é sobre o destino. E não acho que destino seja deus. Creio em nossas vidas vários fatos acontecem independente de nossas ações; não temos escolhas neste caso. Aprendi a acreditar nisso por algumas experiências próprias sobre fatos improváveis que mudam todo o ramo de sua vida, e tudo foi imposto. E coincidências? São como a sorte, e eu não acredito em ambos.

É fato que não somos fruto da criação - Adão e Eva - personagens. Nem alguma outra forma de vida. É sensato que para que tudo exista os elementos primitivos e necessários estavam "disponíveis" e eles tinham que vir de algum lugar. Matéria e anti-matéria, idem. Explica, para mim, que seja sensato dar o nome Deus para o inicio de tudo e no final das contas nós somos frutos da criação. Mas não, a ciência ainda encontrará a resposta se ainda existirmos (provavelmente ouras espécies extra-terrestres já sabem).
Criamos Deus. Muitas vezes clamamos o nome dele por nossas conquistas e agradecemos enquanto culpamos o Diabo pela nossas próprias falhas. E clamamos novamente à Deus por misericórdia e socorro.

Deus é liberal, nos deu o livre-arbítrio (algo que acredito que temos mesmo aceitando o destino). Escolhemos o nosso deus, no final das contas. Independente do que a cultura ou a religião nos impõe. Ou como diz um personagem genial criado pelo George Martin, deus é um só, e ele chama Morte, e nosso único dever para com ele é dizer "hoje não."
-
Texto de julho/2011, estava nos rascunhos, sem edições, sem razão por não ter postado, ainda.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A fala é alma podre vomitada pela ignorância
não titubeava o pobre velho, sem ciência, falava.

O silêncio não é o ouro que brilha reluzente,
mas é o ouro da alma, a riqueza da mente.

Mente que grita um murmúrio súbito,
com as palavras equivocadas
de sua boca fúnebre.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

domingo, 16 de outubro de 2011

"Sonhos são feitos para dois"

Já dizia um quebrantado Arlequim:

"Um casal só compartilha o mesmo sonho se o fruto já estiver podre."


ops.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Desparadoxo

Lê-se encanto
          quando em prantos desencanto
por sua imagem pobre
          vil e podre
Poderia engolir este espinhoso ramo
          pela bela garota que és
e a imagem do amor...

domingo, 9 de outubro de 2011

Quem?

Cita o nome
cita seu nome
o nome, outro nome
este que, se cita
cita, excita
que não se cita
dois nomes
que se excitam
e citam
quais nomes?

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Cantiga sem fim para alguém

Venha me me abraçar
cantar o som da noite, vem
dançar a valsa da lua
vem tomar o meu amor, também.
Vem sentir o cheiro deste lugar
das pedras e tulipas, ou do mar
venha me beijar, suar,
venha sussurrar: "meu bem"
Que vou te amar, vou te desejar
não sei.
quero te amar e te desejar
Posso te abraçar e te namorar

talvez.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A. ingênuo platônico

Poderia estar fitando os seus olhos
e julgando a menina que acho que você é.
Não sei
Penso que talvez eu sei
mas eu sei que, o que eu penso
pode não ser.

Mas para mim, é.

Eu realmente te encarei enquanto escrevia,
acho que te encaro o tempo todo, não só quando realmente passo por você.
Algo que por muito pensei o porquê. Encarava sem saber.

Mas é tão ingênuo, inocente, um todo intrigante
seu rosto de menina, tímida e arrogante.

O que poderia pensar, eu, sem mesmo ouvir tua voz?
Ou saber o seu nome, que lhe destina tal poder.
Minha atração
por uma carcaça que enxergo.

Droga. Eu sorri.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Carta de amor para colombina

Com a posição de um Arlequim neste tabuleiro de xadrez onde só há você e vários pierrôs, espero que compreenda que não sou o rei.

domingo, 18 de setembro de 2011

Eu sou a máscara que esconde a própria hipocrisia.

Meu desejo

Não se satisfazendo com o dia que tem tudo que te faz bem, sonha com o próprio dia de acordo com suas reais vontades. Não se satisfazendo por ser um sonho, apenas deseja dormir de novo e continuar vivendo, imaginando e desejando e se iludindo.

O que reflito pelo cansaço.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O círculo de Etros - 1

O garoto humilde subia as escadas do prédio antigo e praticamente abandonado em que vivia, com as mãos no bolso de um moletom cinza, sem marca, sujo e rasgado e cabeça encapuzada e ouvia no volume máximo com seus fones de ouvido baratos e um mp3 player achado na rua um hit qualquer de hip hop. Um homem alto, forte, com uma camiseta branca colada no corpo o surpreendeu com uma arma em sua cabeça, o garoto o olhou assustado enquanto a boca do cano da pistola marcava sua testa. O hip hop continuava tocando alto, enquanto o assaltante falava palavras inaudíveis devido ao som. Só haviam as rimas e a batida, até que o assaltante o nocauteou batendo na cabeça do garoto com uma força bruta inimaginável. A música desvaneceu para o garoto lentamente, sua visão confusa, olhos fechando lentamente, caiu e os fones saltaram de sua orelha. O assaltante podia ouvir o hit perfeitamente. O apanhou, fez um pouco de força puxando o fio do fone para tirar o mp3 player do bolso do moletom do garoto, procurou por carteiras, não achou. O assaltante continuou descendo as escadas lentamente, enquanto observava o mp3 com o visor quebrado, o guardava no bolso, ouvia os sons da cidade assim que chegou na porta do prédio, uma ambulância passou rapidamente emitindo um som ensurdecedor, ajeitou os fones no próprio ouvido e o hip hop já havia sido trocado por um hard rock americano qualquer, não se importou, acendeu um cigarro e seguiu pela rua do subúrbio até o terceiro beco. Virou-se discretamente e se enfiou no beco escuro, atrás de uma lata de lixo havia um moleque agachado, o assaltante o encarou, tirou do bolso um pacote pequeno de cocaína e entregou para o moleque, que se levantou e deu um tiro no estômago do assaltante. O moleque tirou do assaltante o mp3 player e o fone de ouvido com facilidade, tirou a arma do assaltante que estava morrendo e ajeitou em sua calça, na frente. Colocou os fones de ouvido, que jazia de um som agudo e estranho, mas no lugar de tentar arrumar a música, correu pelo beco até tropeçar em algo qualquer, o zumbido do fone fazia sua cabeça explodir de dor, e caiu, como em câmera lenta, ao encontrar com o chão, a arma desparou e o acertou a virilha. Urrou de dor. Um mendigo acordou assutado com os sons estridentes da noite, viu o moleque gritando e sangrando, já acostumado com cenas como aquela e com o coração corrompido pela podridão daquele mundo, deixou o moleque se arrastar e gritar até desmaiar de dor e futuramente morrer pelo sangramento da bala que o atravessou a virilha. Após um tempo o velho se levantou e pegou o mp3 player do moleque, ajeitou os fones no ouvido e tocava ali uma balada antiga - anos 50. Parou por um tempo observando aquele mp3 player com aparência infuncional tentando descobrir como diminuir o volume, mas não conseguiu. Não se importou e deu um sorriso largo e banguela pela nostalgia de sua época. Caminhou até o final do beco, observou a rua no final, o sol começando nascer logo à frente quase escondidos pelos prédios do mundo moderno. Uma lágrima escorreu em seu rosto pela primeira vez em décadas, a balada dos anos 50 estava terminando em seu mp3 player o som indo embora, a rua ainda vazia, os prédios modernos sendo iluminados pelo sol, o velho atravessou a rua sem cuidados e já não estava mais no subúrbio, mas sim num bairro de classe alta e um grande centro de mídia tecnológica da cidade. O mundo se tornou claro, seus olhos eram quase cegos para aquele cenário. Tirou os fones de ouvido, pegou o mp3 player que aparentemente tinha acabado a música e jogou no chão por não compreender mais a funcionalidade daquilo, o velho continuou caminhando.
---
Continua.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Inconcebível

Quem pode amar,
amar por ser amado
tocar por ser sentido, ter sentido
de ser amado, por amar,
quem se pode amar?

Quem pode aceitar
ser amado, por amar
desejado pela falta,
pela falta, inerte, sonhar?

Por que você poderia rejeitar
aquele que te ama
por outros, a ti amar?

E quem pode sonhar um dia
sem amar, oh triste agonia,
viver em prol da alegria?

Poderias tu, apenas viver, em prol do amor que sente pelas pedras, que por ti foram lançadas à cruz pela primeira vez enquanto negava os sonhos que nutria pela vida, por todos, proibido, mas para ti, inconcebível.

sábado, 20 de agosto de 2011

A máscara do Arlequim


Daria minha alma pela glória desejada
enquanto observava o drama daquela menina
que chorava pela carta rasgada.
Daria minha alma, se ainda fosse minha, pelo riso inoportuno.
A carta continha palavras vazias
de um sentimento obsoleto
e sofredor de um Pierrot qualquer.
Pobre menina, que chorava por aquelas palavras
                                                              [de morte
Daria minha alma se aquelas palavras fossem minhas
mas não posso dar nada se as lágrimas já concretizaram
o sofrimento em seu peito.
Mas o que poderia fazer eu?
                       Se nem pertenço àquele leito?
Acho que não me importaria
se aquilo ainda me pertencesse.
oh, minh'alma, quão obscura és
em terra de corvos,
morte é além de fé.

Mas e a carta rasgada, quem poderia a escrever?

Pobre Arlequim, que ama sem sorrir
e sorri por sofrer.

Poderia usar uma máscara sem nem mesmo ser você?

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

o que você lê

Eu pensei em escrever uma crônica, mas já penso em tanta fantasia que iria acabar me perdendo em minha própria mente. Eu pensei em escrever sobre o futuro, mas o destino é tão incerto que estaria fantasiando meus sonhos em uma esperança inconsequente. Então pensei em relatar uma reminiscência, mas seria vago, afinal...
Poderia até mesmo contar um caso, mas boas lembranças já são passado, e o passado parece fantasia. Poderia narrar então um acontecimento desgraçado, mas quem deseja isso?

Contaria a minha fé, mas é inconsciente, soaria falso. Até versificaria um poema, mas eu não sei sobre o quê.

Penso no que faço e no que vou fazer.

Então eu decidi escrever o nada.

O Arlequim sussurra:
                                Bem-vindos.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Começa a era dos extremos

Falar em "altos e baixos" é como gritar o maior eufemismo de sua vida. Chorar é até fácil quando se precisa. Problemas se resolvem com problemas maiores, conceito e modo de vida rola-bosta, não é bem uma escolha. Crescemos aprendendo que a vida é feita de escolhas, e escolhemos como marionetes sem consciência de cada escolha. Cada ato seu é um tiro do destino em sua própria cabeça. Cada ato dos outros é um tiro do destino em sua cabeça.

Então começa a era dos extremos.

Paixões, famílias, brigas, intrigas. Surtos, trabalhos, descanso e recaída. Choro, vômito, chuto, agonizo. Sorrio, brinco, finjo, grito. Altos e baixos não existem, é tudo uma grande porcaria linear, um grande jogo linear com dificuldade crescente. Dar valor às coisas idiotas se torna um hábito. É tudo simples demais, mas precisamos de explicação.
Eu preciso, não sei vocês. Talvez uma boa forma de começar resolver alguns problemas seja falando como um personagem e não como um narrador presente.

Então para mim começou a era dos extremos.

Mas tudo se repete. Independente de como eu conjugue o verbo. Talvez o pouco que eu desejo seja o extremo dos extremos. Mas antes eu ainda desejaria saber o que você deseja. Então começo pensar em cada coisa que sinto, em cada coisa que quero, em cada coisa que escrevo e o paradoxo que crio é como um buraco negro em minha mente. Poderia ler mais uma vez algo como Axolotle Atropelado e sentir inveja da vida de merda de uma garota alemã. Ou reler Bonnie & Clyde e invejar uma vida perfeita além de problemática. Há coisas que não fugimos.

Só resolvemos um problema com outro problema. Não generalize este caso.

Criei a mania de explicar tudo, talvez tenha nascido com ela. Isso me explica porquê quero explicação de todos. Seria mais transparente se o que eu falasse fizesse mais sentido, mas eu não consigo colocar um foco ou até mesmo sentido na maneira na qual escrevo ou falo qualquer coisa, na minha mente é tudo muito claro, talvez eu tenha uma deficiência. É uma coleção imbatível de "talvezes", eu deveria entrar pro Guinnes ou virar detetive. Mas eu posso compreender, que quem não sabe deve ficar calado e quem sabe deve ficar mais calado ainda!

Filósofos também não são racionais e terapeutas também precisam de terapia.

Lembro-me de quando tinha treze anos e caí na quase cultura, porém pop, de Nietzsche. Encarei até Foucault (talvez por achar a cara dele tão carismática!), e corri a literatura por outros nomes que eu poderia dizer "que se fodam" por todos os simples motivos: ou não compreendemos porra nenhuma do que falam ou cada porcaria que falam se encaixa em algum período da nossa vida na qual nos identificamos com aquela citação mesmo que ela não faça sentido algum para você. É genial. É como fazer uma música babaca e ficar famoso. Sempre precisamos de outra pessoa para refletir nossa tolice e nos sentir bem. Ou ao menos pra pessoa se mostrar menos tola e acharmos que temos um apoio. Se eu conseguir voltar a falar em primeira pessoa e não perder essa linha, me dou um presente amanhã. Daí pensei nos terapeutas e descobri que eles fazem terapia, e então o terapeuta do terapeuta também tem um terapeuta que faz terapia com outro terapeuta. Aí eu descobri que deus existe, ele é onipotente e onisciente, só não é onipresente, pois o gente-fina é um humano terapeuta autossuficiênte que não precisa de terapia. Desconfio do conceito de liberdade e felicidade nesses casos.
Por um momento eu não escutava nada e escrevia sem nem mesmo pensar. Agora que consigo pensar, eu ouço a linda voz de Tori Amos, mas continuar escrevendo é uma utopia. É como se a máquina me mandasse calar a boca usando a melodia de Cool On Your Island, grande potencial para escrever um tanto de coisa aqui que eu não deveria, mas como não sei quando esse texto vai acabar o destino vai continuar me criando aqui. (poderia ser o ultimo ponto-final, em?).

Reclamo de tudo, negativismo faz parte de mim e meu 'quase' é paradoxal.

Acho que conquistei algo enorme neste texto (ou desabafo, ou simplesmente, esta conversa). Não tive a impressão de estar reclamando ou negativando nada, apenas de estar julgando a tudo, principalmente em relação à mim. Claro, você que está lendo (se é que você chegou aqui), pode rir da minha cara agora, pois não duvido nada que fui completamente alguma-palavra-com-'a'-que-esqueci em relação ao texto todo. Como era a palavra? Mais uma coisa para minha lista de coisas intrigantes e angustiantes. Sabe que sempre lembrar da palavra "léxico" é um saco? Nem pausando a música eu to conseguindo pensar na palavra. Tentando explicar: no inicio do texto eu devo ter dito uma coisa e agora eu to dizendo a mesma coisa porém invertida. Como "Eu odeio chocolate, mas eu amo chocolate." Ah, só sei que a palavra começa com 'a', mas talvez ela comece com outra letra, acho que isso não importa.
Acho que eu não faço nada em vão (ou já basta o grande vão que me encontro?), mas acredito principalmente que estou escrevendo tanta merda aqui com a única esperança de saber se alguém vai ler. Também acredito que a maior esperança mesmo seja eu ler depois e rir tanto que vou ganhar um domingo.

Todo mundo cria um personagem ou possui um personagem pela qual se espelha.

Provavelmente eu criei um personagem de mim mesmo, com a diferença que ele consegue ser mais dramático do que eu. (To pensando em copiar esse texto todo, jogar no word e fechar o blogger, pois poderei publicar e ganhar algum dinheiro, se alguma editora aceitar tanta bobagem.) Daí o meu complexo é tentar compreender o meu próprio personagem. Entretanto, posso citar ícones como Chaplin, Fauno, Curinga, Clint Eastwood e o Sr. Batata, provavelmente você se identifica com algum. Ah, eu não. Agora, eu preciso me explicar isso!!! Ainda bem que não preciso escrever.
-
Pensando bem, a ideia de que tenho três horas para acordar e começar um novo dia seja o suficiente para parar de escrever. Para variar, vou usar do eufemismo, ao menos todos os dias são dias diferentes. O triste é que as horas são sempre as mesmas.

sábado, 6 de agosto de 2011

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Terra de lobos, corvos e abutres

"and if you ask me how i know
what she looks like i will tell you,
'she left yesterday.'"


Tudo daria certo se não fossemos anacrônicos perante ao erro
gêmeo disfarçados de gênios desarmados.
Lobos seguidores de uma lua espedaçada
caçadores de ovelhas, lã desperdiçada.

O frio toma conta de nossos corpos
deitados no chão frio, quase mortos
corvos nos alcançam e nos deixam à deriva da cegueira,
congelados e perdidos num espaço colateral de um destino colateral.

Mortos,
banhados pela urina dos abutres
de carniça, alimentamos pobres aves ricas de orgulho.

Escolhemos um destino enquanto tecemos às avessas uma história hipócrita.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Do sentimento eufórico

Aquele romance nas gramíneas do grande campo
o sol tão alto refletido pelo verde ofuscando nossa vista.
De olhos fechados, amamos;
e percebemos o quanto um sol, alto e forte, pode ser gelado.

Os filhos dos reis

Personagens tão efeminados que faltam vomitar rosas enquanto travam batalhas por uma simples escrava.
Escarros de pétalas ainda cheirosas, filhos de um nobre cujo escarro é podre como carniça.
.
.
.
Vivendo e apodrecendo.

domingo, 24 de julho de 2011

O covil de cobras e lagartos

Infelizmente eu não posso me lembrar de muito para retratar, o veneno ainda corre em minhas veias. Mas talvez o veneno não exista e eu esteja sendo curado com placebo, nossa mente é insana e muitas vezes nem imaginamos o lugar em que nos encontramos. Vou começar retratando pelo que poderia ser o dia anterior, mas eu não tenho certeza ainda.
Me parecia até clichê aquela brisa fria e o sol alto e brilhante no céu, dando cor aos tons pálidos de qualquer centro urbanizado, quando há muito desejo e finalmente uma grande esperança de encontrar com sua amada no dia seguinte. Saí da empresa a qual trabalho, e o céu ainda estava claro, mas a noite cairia logo. Caminhei por algumas ruas e o  dia se tornara noite repentinamente, na medida que eu caminhava os edifícios ficavam escuros e pareciam se curvar, minha visão parecia não mais acompanhar o movimento de minha cabeça e o mundo se dobrou ao meu redor. Não houve um mal-estar, mas ri imaginando que eu deveria ter sentado num bar e tomado uma cerveja, ou várias, já que não faria diferença, continuei caminhando.
Quando tudo já estava escuro e eu apenas via uma limitada luz no plano opaco por onde eu caminhava, olhei meu relógio, já havia passado de meia-noite. Uma cobra passou por dentre minhas pernas, eu deveria sentir medo naquele momento, pareceu normal. Continuei caminhando. Conhecem aquela sensação de correr e parecer estar no mesmo lugar, de quando sonhamos? Foi aí que comecei sentir um pouco de medo e adrenalina. Ah! Mas a adrenalina era ótima, e eu corri. Enquanto corria tudo foi clareando e eu escutava os sons daquele covil de cobras e lagartos. Crocodilos me encaravam, cobras se entrelaçavam e não havia lugar seguro para pisar.
Alguém corria ao meu lado esquivando dos répteis como se fossem obstáculos e não podíamos ser pegos por qualquer um deles. Falava comigo como se fosse mestre daquele lugar. Não pude distinguir bem se era um homem ou mulher, mas parecia um inimigo brincando.
Não há mordida mais fatal como a do dragão de comodo.
O encarei. Tudo escureceu tão repentinamente como clareou e eu não estava mais naquele covil. Ao mesmo tempo que parecia acordar em minha cama eu suava, minhas duas pernas com cãibras, celular tocando por uma notificação. Era uma mensagem vazia. E tudo escureceu e clareou novamente, e eu acordei novamente, com novas cãibras e suor frio e mensagem.
Sem dúvidas eu fui atingido por aquele dragão de comodo. Não importa se foi realmente a infecção bacteriana pela mordida do monstro ou o feitiço de uma fada. Como eu disse anteriormente, não me lembro e não tenho certeza sobre o que há comigo. Tratamento placebo...

Quantos anos se passaram?

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Hipócrita

Estava rindo dos mascarados,
pois disfarçavam as desgraças.
E ria de mim mesmo
pela desgraça mascarada.

domingo, 17 de julho de 2011

Três pássaros negros

Não aguentando a monotonia de suas aparências,
*
depenaram-se.
*
Continuaram iguais.

O desconcerto da minha mente

Só escrevo lixo por pensar da mesma maneira.

O desconcerto do mundo

E minha mente se entregou ao limbo!
Imaginei hordas de monges segurando flores,
                     terços e pregando palavras dos deuses.
Ouvi gritar o mendigo:                                   O FIM ESTÁ PRÓXIMO!
E o frustrado falou baixo respondendo: talvez esteja para mim.
E EU GRITO, ALTO
DESMERECENDO O ATO DE SORRIR
POIS ME SINTO BAIXO
Procurando ser feliz.
Imaginem o AMOR
Que sofro sem sentir
que sinto sem sofrer
que escolho por                               viver
e vivo para morrer
POR TI
por mim.
Morrer por todos que vivem por si
Morrendo
apenas por sentir.
O MUNDO
Tão fraco,                     pequeno,                     desolado
Esquecido, perdido e apagado
como os dias
desgraçados
SEM                                                       COR
SEM META
SEM GRITO
E AH! cansei dos meus versos desconcertados.

E NÃO IMAGINEM NADA!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Dois pássaros negros

Os pássaros piavam um para o outro, um macho graúdo com brilho azulado e penas cheias, outro, uma fêmea magra, de penas tão negras que a luz não refletia brilho algum. A praça era enorme, mas sua imensidão comparada ao tamanho dos pássaros não era nada ao que eles viam enquanto voavam, a presença de humanos, então, pouco os importava naquele local. Um homem magro e alto se aproximou, sentou-se num banco e abriu um livro. Os pássaros começaram cantar um para o outro, o homem se distraiu, fechou o livro e os observou.

Por algum tempo o canto se tornou um silêncio profundo, os pássaros pularam para frente juntos enquanto ainda  produziam algum som, quase agonizante, voaram um para cada lado. O homem respirou fundo, abriu o livro novamente e procurou aonde havia parado.

Um casal apenas compartilha o mesmo sonho se o fruto já está podre.

sábado, 9 de julho de 2011

Sabe que se sente feliz, preocupado com tudo e sua paciência é extinta.
A bomba não tem nem pavio nesse caso.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Monólogo de um vampiro humanizado

Personagem__Saibam que eu não sou um Arlequim muito menos um Pierrot apaixonado e frustrado. Eis aqui uma sombra de ideias sem memórias, frustrações sem causas e paixões sem prosa. Prosa, dos versos quebrados e mal-rimados de uma conclusão embaraçosa e poesia obrigatória. Então há poesia de morte e vida. Sombra de desejos sem causa. Uma criança que não tem medo do monstro do pântano, mas é sua amiga por ser ingênuo o bastante para não conhecer o medo, e acaba morta pela mordida de um lobo. Como percebem, a história foge da realidade e do sentido registrado. Não existem fadas neste conto, magia nesses sonhos. Mas posso gritar que existe medo do passado sem lembrança, suor em derrama e vícios quase humanos. E como pensar num vampiro que envelhece? Cadê o meu retrato mágico!? Dorian, seu vampiro de merda!

(Personagem termina de beber o o sangue do cálice, faz uma careta, joga o cálice no chão e sai de cena)

sábado, 2 de julho de 2011

o Eu angustiante

Criemos um personagem, chamemos-o de Eu. (não eu, autor, mas de eu, Eu mesmo.)

Eu desejo estar sozinho, ganho minha solidão.
Eu desejo ter amigos, ganho amigos.
Eu desejo ter um relacionamento, ganho um relacionamento.
Eu desejo ter dinheiro, ganho dinheiro.
Eu desejo ficar sozinho de novo, ganho minha solidão.
Eu desejo sair mais, saio.
Blá blá blá.
Eu desejo tudo, tenho tudo, continuo desejando mais.

Eu gosto de falar na primeira pessoa, pois você, leitor, sou eu.
Quem sou Eu?

E você diz que não sabe quem Eu sou, ou Eu que disse isso?
Porque dizer quem Eu sou é se limitar.
E não sabemos nos limitar, pois afinal, quem Eu sou?
E você me descreve e acho que sei o que Eu sou. Mas você tá errado.

E Eu entro numa confusão por falar de mim mesmo, sendo que Eu é você falando em primeira pessoa. E Eu me complexo completamente e meus pensamentos ficam para fora de mim. Vou tomar um anti-depressivo.
Talvez Eu queira fumar um cigarro e me matar aos poucos, ficar com um gosto amargo e desgramado na boca. Não importa.

Afinal, Eu sou angustiante e ainda preciso de você.

Onde vamos parar com isso tudo?

quinta-feira, 23 de junho de 2011

domingo, 12 de junho de 2011

Aniversários são o seguinte: você apenas viveu um dia a mais em sua vida, mas as pessoas te surpreendem e te assustam com uma máscara hipócrita e cara-de-pau ou são tão verdadeiras que nos levam à seguinte conclusão: a vida é um grande campo adubado por estrume (merda mesmo) de ouro.

fim.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

De Neil Gaiman, em Deuses Americanos

"Posso acreditar em coisas que são verdade e posso acreditar em coisas que não são verdade. E posso acreditar em coisas que ninguém sabe se são verdade ou não. Posso acreditar em Papai Noel, no coelhinho da Páscoa, na Marilyn Monroe, nos Beatles, no Elvis, no Mister Ed. Ouça bem.. Eu acredito que as pessoas evoluem, que o saber é infinito, que o mundo é comandado por uns cartéis secretos de banqueiros e que é visitado por alienígenas regularmente - uns legais, que se parecem com uns lêmures enrugados, e uns maldosos, que mutilam gado e querem nossa água e nossas mulheres. Acredito que o futuro é um saco e que é demais, e acredito que um dia a Mulher Búfulo Branco vai ficar preta e vai chutar o traseiro de todo mundo. Também acho que todos os homens não passam de meninos crescidos com profundos problemas de comunicação e que o declínio da qualidade do sexo nos Estados Unidos coincide com o declínio dos cinemas drive-in de um Estado a outro. Acredito que todos os políticos são canalhas sem princípios, mas ainda assim melhores do que as outras alternativas. Acho que a Califórnia vai afundar no mar quando um grande terremoto vier, ao mesmo tempo que a Flórida vai se dissolver em loucura, em jacarés, em lixo tóxico. Acredito que os sabonetes antibactericidas estão destruindo nossa resistência à sujeira e às doenças, de modo que algum dia todos seremos dizimados por uma gripe comum, como aconteceu com os marcianos em A Guerra dos Mundos. Acredito que os melhores poetas do século foram Edith Sitwell e Don Marquis, que o jade é esperma de dragão seco, e que há milhares de anos em uma vida passada eu era um xamã siberiano de um braço só. Acho que o destino da humanidade está escrito nas estrelas, que o gosto dos doces era mesmo melhor quando eu era criança, que aerodinamicamente é impossível para uma abelha gande voar, que a luz é uma onda e uma partícula, que tem um gato em uma caixa em algum lugar que está vivo e está morto ao mesmo tempo (apesar de que, se não abrirem a caixa algum dia e alimentarem o bicho, ele no fim vai ficar morto de dois jeitos), e que existem estrelas no universo bilhões de anos mais velhas que o próprio universo. Acredito em um deus pessoal que cuida de mim e se preocupa comigo e que supervisiona tudo o que eu faço, em uma deusa impessoal que botou o universo em movimento e saiu fora para ficar com as amigas dela e nem sabe que eu estou vivo. Eu acredito em um universo vazio e sem deus, um universo com caos casual, um passado tumultuado e pura sorte cega. Acredito que qualquer pessoa que diz que sexo é supervalorizado nunca fez direito, que qualquer um que diz saber o que está acontecendo pode mentir a respeito de coisas pequenas. Acredito na verdade absoluta e em mentiras sociais sensatas. Acredito no direito das mulheres à escolha, no direito dos bebês de viver, que, ao mesmo tempo em que toda vida humana é sagrada, não tem nada de errado com a pena de morte se for possível confiar no sistema legal sem restrições, e que ninguém, a não ser um imbecil, confiaria no sistema legal. Acredito que a vida é um jogo, uma piada cruel e que a vida é o que acontece quando se está vivo e o melhor é relaxar e aproveitar."
Pessoas que contornam obstáculos perdem o caminho.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Boneca de papel

Tão superficial
rasa e inconstante
Sua lágrima não passa de um semblante
de um brilho ofuscado
pela máscara que criei
minhas mentiras soberbas e prepotentes.
Me tornei antagonista
de um destino embriagante
fátuas palavras
de um mero caminhante de um mundo tão óbvio e obscuro.
Você é minha querida
escolhida
apenas minha personagem desta obra lírica
inconstante
antes que eu te queime, não diga que talvez me ame.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

A cobra e o matadouro

Às vezes o mundo gira para nós
fugimos do temor
e tememos mais ainda
Quando o mundo grita para nós
o silêncio nos excita
e a peçonha...
ah, o veneno brilha.
A lâmina, tão bem afiada
corta tua língua, e meio às desgraças
macio e trágico, e tão doce...
O sangue se espalha, espirra
O corpo se retrai, relaxa
O alívio de um gozo de morte, a cobra e o matadouro
rasgue esses papéis, isso não presta.
e a cobra riu.

sábado, 7 de maio de 2011

Acidentes acontecem

Eu sonho com o impossível. Meus desejos são quase sempre realizados, observo tudo dando certo para as outras pessoas e me vejo numa situação completamente contrária, sendo que está tudo dando certo para mim também, talvez até mais do que deveria. Sou cego. Acredito que acima de todas as minhas capacidades o tiro que dou em minha própria cabeça é uma ambição sem luta e sem causa. Talvez meu sonho seja ser onisciente.
As vezes acredito que me contento com pouco. Faço drama, penso "só preciso disso", pequenas coisas que todo mundo tem todos os dias e eu sinto falta, vou atrás, consigo e nada muda. Amadurecer é difícil, tem que se conhecer, mas não é o que basta. Eu me conheço bem, sei meus segredos, tentando abrir este baú: eu tenho tudo e quero mais ainda. Egoísta e ambicioso.
Tento não me destruir, na maioria das vezes. Eu me julgo pra tentar encontrar um caminho. Eu preciso realmente me contentar com pouco, pois eu tenho tudo e grito pra todos que não tenho nada. O que mais eu preciso, afinal? Apenas enxergar que eu estou numa situação muito melhor do que as condições externas oferecem. Não consigo nem me expressar da forma que eu quero. (Isso é devido minha incapacidade com dissertações e afins, então sempre apelo pra versos, e olha, este post nem tá tão longo) Eu não sei descrever muito bem e eu não vou ficar usando do meu léxico pra maquiar o texto.
A impressão que eu tenho é que não estou conseguindo organizar e então tudo fica (?). É quase um espelho de mim mesmo (totalmente). 

No final das contas, este é o Arlequim falando sobre equilíbrio. Totalmente descartável.
(não é sobre mim)

domingo, 1 de maio de 2011

Bico-de-pena

                               Já estava no final da carta.
                                            Escrevia ligeiramente e com suavidade
                          por um deslize de mão e descuidado inoportuno
                                                toda tinta espalhou sobre o papiro
e não havia mais carta senão uma única palavra escrita:

"Adeus."

Deveria ser uma única carta para o Pierrot.

terça-feira, 26 de abril de 2011

...

Gritar tanto em silêncio para que?
Melhor manter o silêncio sem gritar.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

O Arlequim bailou com o Pierrot

Com uma música suave agiam como irmãos, que sempre foram. O sorriso estampado no rosto do Arlequim denunciava seu sarcasmo. Mas é um Arlequim, a verdade é como uma mentira e a fantasia estampava o seu sorriso. Um sorriso tão grande que poderia ser chamado de louco, o que talvez era. Seu sentimento por bailar aquela música tão suave, tão harmonica, e com uma letra tão curta e caótica provava para si mesmo, que seu irmão com a lágrima estampada era apenas uma de suas faces.

“Sonhe tão alto
Corra na chuva
Os lábios se tocam ao vento
À lua.
Luz que escurece,
Breu que ilumina
O sangue de um Arlequim
------------------------”

Poderia estar o Arlequim sentado com sua bico-de-pena e pensando no ultimo verso de sua música, deixou uma incógnita. Mas o Pierrot deixava a sonata fluir, não cantava mais, chorava, sempre chorava.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

As cores da montanha

Apenas vejo tons do marrom ao vermelho
como o sangue já podre que abraça a cidade.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Fado

Por mais que eu diga que o passado é apenas o passado, que o presente apenas é ignorado e toma parte do passado, mas que vivemos com a mente no futuro enquanto estamos num presente relativo... Bom, posso dizer também que creio que algumas memórias são chaves para o destino.
Chaves para o destino, que otimismo pensar sobre isso. Algumas memórias simplesmente fazem parte de nós por razões inconscientes. Parte de um passado tão distante, quase incompreensível por tantas fantasias da mente de uma criança. A vida segue por anos e anos, o futuro retoma o passado muitas vezes, vai e volta, vai e volta, repetidamente, pra lá e pra cá, memórias... Não apenas memórias. Reminiscências.

Falamos a verdade com convicção. Parte da verdade. Naquele momento, a verdade necessária. Gritamos a verdade o tempo todo, aquela sobre qual a parte da verdade fala sobre, gritamos sem voz. Talvez eu fale de amor. Eu tenho todas as dúvidas do mundo. Volto naquela questão da necessidade, vontade e prioridade. Traçando minhas linhas com cautela, mas sempre cego. Afinal, do futuro, o que enxergar? Desejos, temos em demasia. Fico pensando se é egoista, busco o melhor, mas pode não ser pra mim. É um erro? Talvez. É tudo tão vazio que posso escrever inúmeras linhas e eu ia ficar procurando o sentido o resto da minha vida.

Eu queria escrever sobre "lírios de sangue, areia e fadas", não sobre, mas envolver tudo isso. Estou improdutivo. Digo, não adianta produzir demais e não chegar a uma conclusão. Até lá, caminho e escrevo coisas vazias pra vocês (e eu, principalmente) tentar encontrar uma conclusão sensata. Seja o que for.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Aperto de mão

E chegou um mendigo cumprimentando
falando de honestidade
  - é necessário para sobreviver
minha resposta foi sobre a sinceridade
minha mão, apertava pela segunda vez.
Cheirava mal, sorriso banguela
tinha um olhar vilipendioso
mais uma vez
                  ...honestidade.
Repeti minha primeira resposta
mais uma vez minha mão apertada.
Me levantei, me olhou triste
"Me perdoe", foi seu único pedido.
Não há o que perdoar, respondi sorrindo
   - procuro falar de honestidade para todos.
Sorri e pensei em fé, perguntei se a tinha
Fé em que? Até eu pensava
Respondeu ele: Em Deus.
E o onibus chegou, ele apenas disse: "Obrigado"
                                        e apertou minha mão.
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Não tenho muitas conclusões pra tirar sobre isso. Tenho um certo preconceito, admito, talvez pelo fato de ter sido assaltado tantas vezes, eu tenho um certo medo. Desta vez não senti, foi natural, não assustei, não me surpreendi, mas eu tenho valorizado demais sobre "verdade, honestidade e sinceridade", ainda mais neste blog, são acontecimentos "bizarros" que fazem a gente pensar. Ainda não concluí nada sobre o acontecimento, mas já aconteceram tantas coisas que pra mim, coincidências e "fatos aleatórios" não existem.

domingo, 3 de abril de 2011

Coloque a máscara e se olhe no espelho

Falo o que penso e incomodo. Minha boca não se fecha quando deve, exponho meus sentimentos, minhas emoções, sou completamente transparente. Completamente não. Escondo todos os segredos do mundo. As vezes o Arlequim coloca a máscara do Pierrot. As vezes o Pierrot tira a máscara do Arlequim. "Quem se importa?" - Pensa ele. Sou carente e me sinto auto-suficiente. Não me chame de bipolar, eu não sei o que é isso e provavelmente nem você. Tenho sonhos demais, pensamentos demais e sou impulsivo demais. Eu não era, mas enfim. Acho que repito as coisas demais, mas eu odeio repetição. Não tenho opinião formada e acho imaturo alguém falar que tem, esquece que não viveu nem metade da vida, um defunto pode falar que tem opinião formada. Caramba, eu gosto de falar coisas aleatórias.
No final sou emotivo, prepotente e arrogante.

Eu não escrevo aqui pra você ver o óbvio, eu escrevo pra você ver motivos. Escrevo aqui, pois preciso de um espelho, e todo mundo coloca suas máscaras e não sabem nem quem são.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Monólogo

Bobo_ Eu sei! Sei que do pó nasci e ao pó irei! (observa o público e começa rir histéricamente) Você! Diz que sou louco. Sou louco sim, por que? Sabem o que eu sou? O último dos mendigos, o primeiro astronauta a colocar o pé em Vênus. E aquela profissãozinha de merda. Fazer reis rirem? Eu que ria de todo aquele circo. Vocês tão rindo da minha roupa né? Ah! Eu sou o circo!? Oh! Que belas flores tinham naquele jardim do império. Álvida era uma princesa naquele campo. Mas eu era apenas um bobo. E bobo ainda sou, mas vocês continuam me chamando de louco. (sai de cena, cortinas se fecham)
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Sabem como encontrar sentido naquilo que parece caótico? Não é caótico apenas porque você não vê o sentido? Por que continuamos procurando sentido em sonhos?  A vida parece as vezes não fazer sentido, mas não é caótica? De fato o personagem é um louco. Ou todos os sentimentos e o passado em sua mente o fazem assim. Interpretem como desejarem. As vezes basta um espelho.

quarta-feira, 30 de março de 2011

o silêncio de todos

Fico imaginando se dentre os problemas os devaneios servem de alguma coisa. Amizades e familiares são frutos de uma relação mútua que deveria ser "protocooperativa". Imagino quantas vezes mentem para que a gente se sinta bem. Quantas vezes mentimos pela mesma razão. Egoísmo, talvez, a falta de sinceridade. Falta transparência, mas uma relação qualquer é tão opaca que o que você conhece não passa da aparência. 

Vejo egoísmo, disputa sem razão e tormenta sem motivo.
Percebo desculpas sem fundamentos e solidão desnecessária.

Mentiras, contamos o tempo todo.
Escapismo, usamos o tempo todo.
Problemas, passamos o tempo todo.
Agimos sozinhos o tempo todo.

 E eu pensava que amizade era uma relação sincera.
Que os pais realmente se orgulham dos filhos.
E no final sai todo mundo encantado e iludido.

No final das contas, não há confiança, não há sinceridade, segurança e fidelidade.

Mas vejo que há, em grande escala, um amor real e fatalmente vomitado.

terça-feira, 29 de março de 2011

Cegueira

Dançava ao ritmo
do vento
que soprava forte enquanto ria o Arlequim,
e a colombina
colocava as cartas sobre a mesa e percebia que estava tudo errado.

                                                           Apenas coringas.

segunda-feira, 28 de março de 2011

minha luta

A maior trapaça consiste da ilusão que criamos sobre os fatos. Devo falar de minha parte, este é meu único blog propriamente dito meu, então compreendam que é minha opinião de fato. Sou eu.
Se colocamos cartas sobre a mesa o coringa pode estar sempre presente, enxerga-lo é o maior problema. Usamos nossa própria carta pra escapar de determinada situação, mas as vezes a máscara não te serve e seu jogo acaba.
Não adianta andar sozinho se há tantas pessoas que importam contigo.
Não adianta ter tantas pessoas quem se importam contigo se você continua sozinho. Elas nem nunca olharam a sua cara, nunca o sentiram. Digo em maioria dos casos.

escolhas...

"Decisão tomada, indecisão toma conta. Sabia o que queria mas não sabia se o faria. Não sabe exatamente o motivo de faze-lo, apenas sabe que quer. Sabe também que talvez sua escolha o leve a uma frustração, como já ocorreu, mas deve arriscar novamente e avaliar. Pode ser que tenha alguma surpresa." As palavras quase vazias devem valer de alguma coisa para alguém.

Quanto mais eu falo que palavras de consolo apenas machucam mais, mais eu me exponho. Não me importa se o post ficou um lixo ou não, eu só preciso gritar e aqui é o meu lugar. Só estou tentando lutar contra as metáforas e conseguir de fato abrir a boca e emitir algum som.

domingo, 27 de março de 2011

E sabia o Arlequim

que sua máscara não serve apenas para o proteger quando espreita a vida, mas que lhe concederia espaço para reinventar. Reinventar o delírio. Oh! Delírio que o fascina. Que me fascina. Que poderia reinventar o mundo por meio de versos e cada grito soaria como música. E o amor? Doce e singela hipocrisia poética.
E, também, sabia o Arlequim, que a decepção é tão forte quanto a expectativa do incerto. Por isso brinca! Elevando suas expectativas entrando em euforia, e para tudo sorria...

Tinha ele o sorriso mais sincero e mais mascarado.

Mas nunca o importou, pois ele grita em frenezi: Eu quero o delírio!
                                                                              E quem são o pierrot e a colombina?
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Sejam bem-vindos ao meu novo blog!