terça-feira, 24 de maio de 2011

Boneca de papel

Tão superficial
rasa e inconstante
Sua lágrima não passa de um semblante
de um brilho ofuscado
pela máscara que criei
minhas mentiras soberbas e prepotentes.
Me tornei antagonista
de um destino embriagante
fátuas palavras
de um mero caminhante de um mundo tão óbvio e obscuro.
Você é minha querida
escolhida
apenas minha personagem desta obra lírica
inconstante
antes que eu te queime, não diga que talvez me ame.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

A cobra e o matadouro

Às vezes o mundo gira para nós
fugimos do temor
e tememos mais ainda
Quando o mundo grita para nós
o silêncio nos excita
e a peçonha...
ah, o veneno brilha.
A lâmina, tão bem afiada
corta tua língua, e meio às desgraças
macio e trágico, e tão doce...
O sangue se espalha, espirra
O corpo se retrai, relaxa
O alívio de um gozo de morte, a cobra e o matadouro
rasgue esses papéis, isso não presta.
e a cobra riu.

sábado, 7 de maio de 2011

Acidentes acontecem

Eu sonho com o impossível. Meus desejos são quase sempre realizados, observo tudo dando certo para as outras pessoas e me vejo numa situação completamente contrária, sendo que está tudo dando certo para mim também, talvez até mais do que deveria. Sou cego. Acredito que acima de todas as minhas capacidades o tiro que dou em minha própria cabeça é uma ambição sem luta e sem causa. Talvez meu sonho seja ser onisciente.
As vezes acredito que me contento com pouco. Faço drama, penso "só preciso disso", pequenas coisas que todo mundo tem todos os dias e eu sinto falta, vou atrás, consigo e nada muda. Amadurecer é difícil, tem que se conhecer, mas não é o que basta. Eu me conheço bem, sei meus segredos, tentando abrir este baú: eu tenho tudo e quero mais ainda. Egoísta e ambicioso.
Tento não me destruir, na maioria das vezes. Eu me julgo pra tentar encontrar um caminho. Eu preciso realmente me contentar com pouco, pois eu tenho tudo e grito pra todos que não tenho nada. O que mais eu preciso, afinal? Apenas enxergar que eu estou numa situação muito melhor do que as condições externas oferecem. Não consigo nem me expressar da forma que eu quero. (Isso é devido minha incapacidade com dissertações e afins, então sempre apelo pra versos, e olha, este post nem tá tão longo) Eu não sei descrever muito bem e eu não vou ficar usando do meu léxico pra maquiar o texto.
A impressão que eu tenho é que não estou conseguindo organizar e então tudo fica (?). É quase um espelho de mim mesmo (totalmente). 

No final das contas, este é o Arlequim falando sobre equilíbrio. Totalmente descartável.
(não é sobre mim)

domingo, 1 de maio de 2011

Bico-de-pena

                               Já estava no final da carta.
                                            Escrevia ligeiramente e com suavidade
                          por um deslize de mão e descuidado inoportuno
                                                toda tinta espalhou sobre o papiro
e não havia mais carta senão uma única palavra escrita:

"Adeus."

Deveria ser uma única carta para o Pierrot.