domingo, 24 de julho de 2011

O covil de cobras e lagartos

Infelizmente eu não posso me lembrar de muito para retratar, o veneno ainda corre em minhas veias. Mas talvez o veneno não exista e eu esteja sendo curado com placebo, nossa mente é insana e muitas vezes nem imaginamos o lugar em que nos encontramos. Vou começar retratando pelo que poderia ser o dia anterior, mas eu não tenho certeza ainda.
Me parecia até clichê aquela brisa fria e o sol alto e brilhante no céu, dando cor aos tons pálidos de qualquer centro urbanizado, quando há muito desejo e finalmente uma grande esperança de encontrar com sua amada no dia seguinte. Saí da empresa a qual trabalho, e o céu ainda estava claro, mas a noite cairia logo. Caminhei por algumas ruas e o  dia se tornara noite repentinamente, na medida que eu caminhava os edifícios ficavam escuros e pareciam se curvar, minha visão parecia não mais acompanhar o movimento de minha cabeça e o mundo se dobrou ao meu redor. Não houve um mal-estar, mas ri imaginando que eu deveria ter sentado num bar e tomado uma cerveja, ou várias, já que não faria diferença, continuei caminhando.
Quando tudo já estava escuro e eu apenas via uma limitada luz no plano opaco por onde eu caminhava, olhei meu relógio, já havia passado de meia-noite. Uma cobra passou por dentre minhas pernas, eu deveria sentir medo naquele momento, pareceu normal. Continuei caminhando. Conhecem aquela sensação de correr e parecer estar no mesmo lugar, de quando sonhamos? Foi aí que comecei sentir um pouco de medo e adrenalina. Ah! Mas a adrenalina era ótima, e eu corri. Enquanto corria tudo foi clareando e eu escutava os sons daquele covil de cobras e lagartos. Crocodilos me encaravam, cobras se entrelaçavam e não havia lugar seguro para pisar.
Alguém corria ao meu lado esquivando dos répteis como se fossem obstáculos e não podíamos ser pegos por qualquer um deles. Falava comigo como se fosse mestre daquele lugar. Não pude distinguir bem se era um homem ou mulher, mas parecia um inimigo brincando.
Não há mordida mais fatal como a do dragão de comodo.
O encarei. Tudo escureceu tão repentinamente como clareou e eu não estava mais naquele covil. Ao mesmo tempo que parecia acordar em minha cama eu suava, minhas duas pernas com cãibras, celular tocando por uma notificação. Era uma mensagem vazia. E tudo escureceu e clareou novamente, e eu acordei novamente, com novas cãibras e suor frio e mensagem.
Sem dúvidas eu fui atingido por aquele dragão de comodo. Não importa se foi realmente a infecção bacteriana pela mordida do monstro ou o feitiço de uma fada. Como eu disse anteriormente, não me lembro e não tenho certeza sobre o que há comigo. Tratamento placebo...

Quantos anos se passaram?

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Hipócrita

Estava rindo dos mascarados,
pois disfarçavam as desgraças.
E ria de mim mesmo
pela desgraça mascarada.

domingo, 17 de julho de 2011

Três pássaros negros

Não aguentando a monotonia de suas aparências,
*
depenaram-se.
*
Continuaram iguais.

O desconcerto da minha mente

Só escrevo lixo por pensar da mesma maneira.

O desconcerto do mundo

E minha mente se entregou ao limbo!
Imaginei hordas de monges segurando flores,
                     terços e pregando palavras dos deuses.
Ouvi gritar o mendigo:                                   O FIM ESTÁ PRÓXIMO!
E o frustrado falou baixo respondendo: talvez esteja para mim.
E EU GRITO, ALTO
DESMERECENDO O ATO DE SORRIR
POIS ME SINTO BAIXO
Procurando ser feliz.
Imaginem o AMOR
Que sofro sem sentir
que sinto sem sofrer
que escolho por                               viver
e vivo para morrer
POR TI
por mim.
Morrer por todos que vivem por si
Morrendo
apenas por sentir.
O MUNDO
Tão fraco,                     pequeno,                     desolado
Esquecido, perdido e apagado
como os dias
desgraçados
SEM                                                       COR
SEM META
SEM GRITO
E AH! cansei dos meus versos desconcertados.

E NÃO IMAGINEM NADA!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Dois pássaros negros

Os pássaros piavam um para o outro, um macho graúdo com brilho azulado e penas cheias, outro, uma fêmea magra, de penas tão negras que a luz não refletia brilho algum. A praça era enorme, mas sua imensidão comparada ao tamanho dos pássaros não era nada ao que eles viam enquanto voavam, a presença de humanos, então, pouco os importava naquele local. Um homem magro e alto se aproximou, sentou-se num banco e abriu um livro. Os pássaros começaram cantar um para o outro, o homem se distraiu, fechou o livro e os observou.

Por algum tempo o canto se tornou um silêncio profundo, os pássaros pularam para frente juntos enquanto ainda  produziam algum som, quase agonizante, voaram um para cada lado. O homem respirou fundo, abriu o livro novamente e procurou aonde havia parado.

Um casal apenas compartilha o mesmo sonho se o fruto já está podre.

sábado, 9 de julho de 2011

Sabe que se sente feliz, preocupado com tudo e sua paciência é extinta.
A bomba não tem nem pavio nesse caso.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Monólogo de um vampiro humanizado

Personagem__Saibam que eu não sou um Arlequim muito menos um Pierrot apaixonado e frustrado. Eis aqui uma sombra de ideias sem memórias, frustrações sem causas e paixões sem prosa. Prosa, dos versos quebrados e mal-rimados de uma conclusão embaraçosa e poesia obrigatória. Então há poesia de morte e vida. Sombra de desejos sem causa. Uma criança que não tem medo do monstro do pântano, mas é sua amiga por ser ingênuo o bastante para não conhecer o medo, e acaba morta pela mordida de um lobo. Como percebem, a história foge da realidade e do sentido registrado. Não existem fadas neste conto, magia nesses sonhos. Mas posso gritar que existe medo do passado sem lembrança, suor em derrama e vícios quase humanos. E como pensar num vampiro que envelhece? Cadê o meu retrato mágico!? Dorian, seu vampiro de merda!

(Personagem termina de beber o o sangue do cálice, faz uma careta, joga o cálice no chão e sai de cena)

sábado, 2 de julho de 2011

o Eu angustiante

Criemos um personagem, chamemos-o de Eu. (não eu, autor, mas de eu, Eu mesmo.)

Eu desejo estar sozinho, ganho minha solidão.
Eu desejo ter amigos, ganho amigos.
Eu desejo ter um relacionamento, ganho um relacionamento.
Eu desejo ter dinheiro, ganho dinheiro.
Eu desejo ficar sozinho de novo, ganho minha solidão.
Eu desejo sair mais, saio.
Blá blá blá.
Eu desejo tudo, tenho tudo, continuo desejando mais.

Eu gosto de falar na primeira pessoa, pois você, leitor, sou eu.
Quem sou Eu?

E você diz que não sabe quem Eu sou, ou Eu que disse isso?
Porque dizer quem Eu sou é se limitar.
E não sabemos nos limitar, pois afinal, quem Eu sou?
E você me descreve e acho que sei o que Eu sou. Mas você tá errado.

E Eu entro numa confusão por falar de mim mesmo, sendo que Eu é você falando em primeira pessoa. E Eu me complexo completamente e meus pensamentos ficam para fora de mim. Vou tomar um anti-depressivo.
Talvez Eu queira fumar um cigarro e me matar aos poucos, ficar com um gosto amargo e desgramado na boca. Não importa.

Afinal, Eu sou angustiante e ainda preciso de você.

Onde vamos parar com isso tudo?