quinta-feira, 14 de julho de 2011

Dois pássaros negros

Os pássaros piavam um para o outro, um macho graúdo com brilho azulado e penas cheias, outro, uma fêmea magra, de penas tão negras que a luz não refletia brilho algum. A praça era enorme, mas sua imensidão comparada ao tamanho dos pássaros não era nada ao que eles viam enquanto voavam, a presença de humanos, então, pouco os importava naquele local. Um homem magro e alto se aproximou, sentou-se num banco e abriu um livro. Os pássaros começaram cantar um para o outro, o homem se distraiu, fechou o livro e os observou.

Por algum tempo o canto se tornou um silêncio profundo, os pássaros pularam para frente juntos enquanto ainda  produziam algum som, quase agonizante, voaram um para cada lado. O homem respirou fundo, abriu o livro novamente e procurou aonde havia parado.

Um casal apenas compartilha o mesmo sonho se o fruto já está podre.

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