sábado, 2 de julho de 2011

o Eu angustiante

Criemos um personagem, chamemos-o de Eu. (não eu, autor, mas de eu, Eu mesmo.)

Eu desejo estar sozinho, ganho minha solidão.
Eu desejo ter amigos, ganho amigos.
Eu desejo ter um relacionamento, ganho um relacionamento.
Eu desejo ter dinheiro, ganho dinheiro.
Eu desejo ficar sozinho de novo, ganho minha solidão.
Eu desejo sair mais, saio.
Blá blá blá.
Eu desejo tudo, tenho tudo, continuo desejando mais.

Eu gosto de falar na primeira pessoa, pois você, leitor, sou eu.
Quem sou Eu?

E você diz que não sabe quem Eu sou, ou Eu que disse isso?
Porque dizer quem Eu sou é se limitar.
E não sabemos nos limitar, pois afinal, quem Eu sou?
E você me descreve e acho que sei o que Eu sou. Mas você tá errado.

E Eu entro numa confusão por falar de mim mesmo, sendo que Eu é você falando em primeira pessoa. E Eu me complexo completamente e meus pensamentos ficam para fora de mim. Vou tomar um anti-depressivo.
Talvez Eu queira fumar um cigarro e me matar aos poucos, ficar com um gosto amargo e desgramado na boca. Não importa.

Afinal, Eu sou angustiante e ainda preciso de você.

Onde vamos parar com isso tudo?

5 comentários:

  1. Onde vamos parar com isso tudo?
    Não importa.
    Talvez Eu queria fumar um cigarro e me matar aos poucos, ficar com um gosto amargo e desgramado na boca. Não importa.
    E Eu entro numa confusão por falar de mim mesmo, sendo que Eu é você falando em primeira pessoa. E Eu me complexo completamente e meus pensamentos ficam para fora de mim. Vou tomar um anti-depressivo.
    Afinal, Eu sou angustiante e ainda preciso de você.
    Eu desejo estar sozinho, ganho minha solidão.
    Eu desejo ter amigos, ganho amigos.
    Eu desejo ter um relacionamento, ganho um relacionamento.
    Eu desejo ter dinheiro, ganho dinheiro.
    Eu desejo ficar sozinho de novo, ganho minha solidão.
    Eu desejo sair mais, saio.
    Blá blá blá.
    Eu desejo tudo, tenho tudo, continuo desejando mais.
    Eu gosto de falar na primeira pessoa, pois você, leitor, sou eu.
    Quem sou Eu?

    E acrescentaria: "Quem és tu, autor?"
    Um Eu mais angustiante ainda ou apenas um mero observador das atitudes minhas, que aliás sou Eu.
    Anacleto, mais uma vez você foi surpreendente com essa obra. Observe o tamanho poder de teu texto. Posso invertê-lo e ainda ter o mesmo sentido, o mesmo delírio do Eu.
    Meus dizeres se perdem por aqui que, por fim, se acabará. Afinal, eu sou um verme e ainda preciso ler mais isso antes de virar pó no caixão fúnebre que me cerca.
    Onde vamos parar com isso tudo?

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  2. Olá Pedro,
    achei demais seu blog e o conteúdo, li e reli...inspirador!
    Estou seguindo...
    Beijo,
    Anna.

    http://despertardocoracao.blogspot.com/

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  3. "Onde vamos parar com isso tudo? "
    Em monologos caoticos e subjetivos,filosofias baratas e um punhado de versos repetidos... Mas certeamente não chegaremos a nenhuma definição concreta do "eu". Mas na verdade acho isso muito bom.

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