sábado, 20 de agosto de 2011

A máscara do Arlequim


Daria minha alma pela glória desejada
enquanto observava o drama daquela menina
que chorava pela carta rasgada.
Daria minha alma, se ainda fosse minha, pelo riso inoportuno.
A carta continha palavras vazias
de um sentimento obsoleto
e sofredor de um Pierrot qualquer.
Pobre menina, que chorava por aquelas palavras
                                                              [de morte
Daria minha alma se aquelas palavras fossem minhas
mas não posso dar nada se as lágrimas já concretizaram
o sofrimento em seu peito.
Mas o que poderia fazer eu?
                       Se nem pertenço àquele leito?
Acho que não me importaria
se aquilo ainda me pertencesse.
oh, minh'alma, quão obscura és
em terra de corvos,
morte é além de fé.

Mas e a carta rasgada, quem poderia a escrever?

Pobre Arlequim, que ama sem sorrir
e sorri por sofrer.

Poderia usar uma máscara sem nem mesmo ser você?

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

o que você lê

Eu pensei em escrever uma crônica, mas já penso em tanta fantasia que iria acabar me perdendo em minha própria mente. Eu pensei em escrever sobre o futuro, mas o destino é tão incerto que estaria fantasiando meus sonhos em uma esperança inconsequente. Então pensei em relatar uma reminiscência, mas seria vago, afinal...
Poderia até mesmo contar um caso, mas boas lembranças já são passado, e o passado parece fantasia. Poderia narrar então um acontecimento desgraçado, mas quem deseja isso?

Contaria a minha fé, mas é inconsciente, soaria falso. Até versificaria um poema, mas eu não sei sobre o quê.

Penso no que faço e no que vou fazer.

Então eu decidi escrever o nada.

O Arlequim sussurra:
                                Bem-vindos.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Começa a era dos extremos

Falar em "altos e baixos" é como gritar o maior eufemismo de sua vida. Chorar é até fácil quando se precisa. Problemas se resolvem com problemas maiores, conceito e modo de vida rola-bosta, não é bem uma escolha. Crescemos aprendendo que a vida é feita de escolhas, e escolhemos como marionetes sem consciência de cada escolha. Cada ato seu é um tiro do destino em sua própria cabeça. Cada ato dos outros é um tiro do destino em sua cabeça.

Então começa a era dos extremos.

Paixões, famílias, brigas, intrigas. Surtos, trabalhos, descanso e recaída. Choro, vômito, chuto, agonizo. Sorrio, brinco, finjo, grito. Altos e baixos não existem, é tudo uma grande porcaria linear, um grande jogo linear com dificuldade crescente. Dar valor às coisas idiotas se torna um hábito. É tudo simples demais, mas precisamos de explicação.
Eu preciso, não sei vocês. Talvez uma boa forma de começar resolver alguns problemas seja falando como um personagem e não como um narrador presente.

Então para mim começou a era dos extremos.

Mas tudo se repete. Independente de como eu conjugue o verbo. Talvez o pouco que eu desejo seja o extremo dos extremos. Mas antes eu ainda desejaria saber o que você deseja. Então começo pensar em cada coisa que sinto, em cada coisa que quero, em cada coisa que escrevo e o paradoxo que crio é como um buraco negro em minha mente. Poderia ler mais uma vez algo como Axolotle Atropelado e sentir inveja da vida de merda de uma garota alemã. Ou reler Bonnie & Clyde e invejar uma vida perfeita além de problemática. Há coisas que não fugimos.

Só resolvemos um problema com outro problema. Não generalize este caso.

Criei a mania de explicar tudo, talvez tenha nascido com ela. Isso me explica porquê quero explicação de todos. Seria mais transparente se o que eu falasse fizesse mais sentido, mas eu não consigo colocar um foco ou até mesmo sentido na maneira na qual escrevo ou falo qualquer coisa, na minha mente é tudo muito claro, talvez eu tenha uma deficiência. É uma coleção imbatível de "talvezes", eu deveria entrar pro Guinnes ou virar detetive. Mas eu posso compreender, que quem não sabe deve ficar calado e quem sabe deve ficar mais calado ainda!

Filósofos também não são racionais e terapeutas também precisam de terapia.

Lembro-me de quando tinha treze anos e caí na quase cultura, porém pop, de Nietzsche. Encarei até Foucault (talvez por achar a cara dele tão carismática!), e corri a literatura por outros nomes que eu poderia dizer "que se fodam" por todos os simples motivos: ou não compreendemos porra nenhuma do que falam ou cada porcaria que falam se encaixa em algum período da nossa vida na qual nos identificamos com aquela citação mesmo que ela não faça sentido algum para você. É genial. É como fazer uma música babaca e ficar famoso. Sempre precisamos de outra pessoa para refletir nossa tolice e nos sentir bem. Ou ao menos pra pessoa se mostrar menos tola e acharmos que temos um apoio. Se eu conseguir voltar a falar em primeira pessoa e não perder essa linha, me dou um presente amanhã. Daí pensei nos terapeutas e descobri que eles fazem terapia, e então o terapeuta do terapeuta também tem um terapeuta que faz terapia com outro terapeuta. Aí eu descobri que deus existe, ele é onipotente e onisciente, só não é onipresente, pois o gente-fina é um humano terapeuta autossuficiênte que não precisa de terapia. Desconfio do conceito de liberdade e felicidade nesses casos.
Por um momento eu não escutava nada e escrevia sem nem mesmo pensar. Agora que consigo pensar, eu ouço a linda voz de Tori Amos, mas continuar escrevendo é uma utopia. É como se a máquina me mandasse calar a boca usando a melodia de Cool On Your Island, grande potencial para escrever um tanto de coisa aqui que eu não deveria, mas como não sei quando esse texto vai acabar o destino vai continuar me criando aqui. (poderia ser o ultimo ponto-final, em?).

Reclamo de tudo, negativismo faz parte de mim e meu 'quase' é paradoxal.

Acho que conquistei algo enorme neste texto (ou desabafo, ou simplesmente, esta conversa). Não tive a impressão de estar reclamando ou negativando nada, apenas de estar julgando a tudo, principalmente em relação à mim. Claro, você que está lendo (se é que você chegou aqui), pode rir da minha cara agora, pois não duvido nada que fui completamente alguma-palavra-com-'a'-que-esqueci em relação ao texto todo. Como era a palavra? Mais uma coisa para minha lista de coisas intrigantes e angustiantes. Sabe que sempre lembrar da palavra "léxico" é um saco? Nem pausando a música eu to conseguindo pensar na palavra. Tentando explicar: no inicio do texto eu devo ter dito uma coisa e agora eu to dizendo a mesma coisa porém invertida. Como "Eu odeio chocolate, mas eu amo chocolate." Ah, só sei que a palavra começa com 'a', mas talvez ela comece com outra letra, acho que isso não importa.
Acho que eu não faço nada em vão (ou já basta o grande vão que me encontro?), mas acredito principalmente que estou escrevendo tanta merda aqui com a única esperança de saber se alguém vai ler. Também acredito que a maior esperança mesmo seja eu ler depois e rir tanto que vou ganhar um domingo.

Todo mundo cria um personagem ou possui um personagem pela qual se espelha.

Provavelmente eu criei um personagem de mim mesmo, com a diferença que ele consegue ser mais dramático do que eu. (To pensando em copiar esse texto todo, jogar no word e fechar o blogger, pois poderei publicar e ganhar algum dinheiro, se alguma editora aceitar tanta bobagem.) Daí o meu complexo é tentar compreender o meu próprio personagem. Entretanto, posso citar ícones como Chaplin, Fauno, Curinga, Clint Eastwood e o Sr. Batata, provavelmente você se identifica com algum. Ah, eu não. Agora, eu preciso me explicar isso!!! Ainda bem que não preciso escrever.
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Pensando bem, a ideia de que tenho três horas para acordar e começar um novo dia seja o suficiente para parar de escrever. Para variar, vou usar do eufemismo, ao menos todos os dias são dias diferentes. O triste é que as horas são sempre as mesmas.

sábado, 6 de agosto de 2011

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Terra de lobos, corvos e abutres

"and if you ask me how i know
what she looks like i will tell you,
'she left yesterday.'"


Tudo daria certo se não fossemos anacrônicos perante ao erro
gêmeo disfarçados de gênios desarmados.
Lobos seguidores de uma lua espedaçada
caçadores de ovelhas, lã desperdiçada.

O frio toma conta de nossos corpos
deitados no chão frio, quase mortos
corvos nos alcançam e nos deixam à deriva da cegueira,
congelados e perdidos num espaço colateral de um destino colateral.

Mortos,
banhados pela urina dos abutres
de carniça, alimentamos pobres aves ricas de orgulho.

Escolhemos um destino enquanto tecemos às avessas uma história hipócrita.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Do sentimento eufórico

Aquele romance nas gramíneas do grande campo
o sol tão alto refletido pelo verde ofuscando nossa vista.
De olhos fechados, amamos;
e percebemos o quanto um sol, alto e forte, pode ser gelado.

Os filhos dos reis

Personagens tão efeminados que faltam vomitar rosas enquanto travam batalhas por uma simples escrava.
Escarros de pétalas ainda cheirosas, filhos de um nobre cujo escarro é podre como carniça.
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Vivendo e apodrecendo.