sábado, 20 de agosto de 2011

A máscara do Arlequim


Daria minha alma pela glória desejada
enquanto observava o drama daquela menina
que chorava pela carta rasgada.
Daria minha alma, se ainda fosse minha, pelo riso inoportuno.
A carta continha palavras vazias
de um sentimento obsoleto
e sofredor de um Pierrot qualquer.
Pobre menina, que chorava por aquelas palavras
                                                              [de morte
Daria minha alma se aquelas palavras fossem minhas
mas não posso dar nada se as lágrimas já concretizaram
o sofrimento em seu peito.
Mas o que poderia fazer eu?
                       Se nem pertenço àquele leito?
Acho que não me importaria
se aquilo ainda me pertencesse.
oh, minh'alma, quão obscura és
em terra de corvos,
morte é além de fé.

Mas e a carta rasgada, quem poderia a escrever?

Pobre Arlequim, que ama sem sorrir
e sorri por sofrer.

Poderia usar uma máscara sem nem mesmo ser você?

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