quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Cantiga sem fim para alguém

Venha me me abraçar
cantar o som da noite, vem
dançar a valsa da lua
vem tomar o meu amor, também.
Vem sentir o cheiro deste lugar
das pedras e tulipas, ou do mar
venha me beijar, suar,
venha sussurrar: "meu bem"
Que vou te amar, vou te desejar
não sei.
quero te amar e te desejar
Posso te abraçar e te namorar

talvez.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A. ingênuo platônico

Poderia estar fitando os seus olhos
e julgando a menina que acho que você é.
Não sei
Penso que talvez eu sei
mas eu sei que, o que eu penso
pode não ser.

Mas para mim, é.

Eu realmente te encarei enquanto escrevia,
acho que te encaro o tempo todo, não só quando realmente passo por você.
Algo que por muito pensei o porquê. Encarava sem saber.

Mas é tão ingênuo, inocente, um todo intrigante
seu rosto de menina, tímida e arrogante.

O que poderia pensar, eu, sem mesmo ouvir tua voz?
Ou saber o seu nome, que lhe destina tal poder.
Minha atração
por uma carcaça que enxergo.

Droga. Eu sorri.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Carta de amor para colombina

Com a posição de um Arlequim neste tabuleiro de xadrez onde só há você e vários pierrôs, espero que compreenda que não sou o rei.

domingo, 18 de setembro de 2011

Eu sou a máscara que esconde a própria hipocrisia.

Meu desejo

Não se satisfazendo com o dia que tem tudo que te faz bem, sonha com o próprio dia de acordo com suas reais vontades. Não se satisfazendo por ser um sonho, apenas deseja dormir de novo e continuar vivendo, imaginando e desejando e se iludindo.

O que reflito pelo cansaço.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O círculo de Etros - 1

O garoto humilde subia as escadas do prédio antigo e praticamente abandonado em que vivia, com as mãos no bolso de um moletom cinza, sem marca, sujo e rasgado e cabeça encapuzada e ouvia no volume máximo com seus fones de ouvido baratos e um mp3 player achado na rua um hit qualquer de hip hop. Um homem alto, forte, com uma camiseta branca colada no corpo o surpreendeu com uma arma em sua cabeça, o garoto o olhou assustado enquanto a boca do cano da pistola marcava sua testa. O hip hop continuava tocando alto, enquanto o assaltante falava palavras inaudíveis devido ao som. Só haviam as rimas e a batida, até que o assaltante o nocauteou batendo na cabeça do garoto com uma força bruta inimaginável. A música desvaneceu para o garoto lentamente, sua visão confusa, olhos fechando lentamente, caiu e os fones saltaram de sua orelha. O assaltante podia ouvir o hit perfeitamente. O apanhou, fez um pouco de força puxando o fio do fone para tirar o mp3 player do bolso do moletom do garoto, procurou por carteiras, não achou. O assaltante continuou descendo as escadas lentamente, enquanto observava o mp3 com o visor quebrado, o guardava no bolso, ouvia os sons da cidade assim que chegou na porta do prédio, uma ambulância passou rapidamente emitindo um som ensurdecedor, ajeitou os fones no próprio ouvido e o hip hop já havia sido trocado por um hard rock americano qualquer, não se importou, acendeu um cigarro e seguiu pela rua do subúrbio até o terceiro beco. Virou-se discretamente e se enfiou no beco escuro, atrás de uma lata de lixo havia um moleque agachado, o assaltante o encarou, tirou do bolso um pacote pequeno de cocaína e entregou para o moleque, que se levantou e deu um tiro no estômago do assaltante. O moleque tirou do assaltante o mp3 player e o fone de ouvido com facilidade, tirou a arma do assaltante que estava morrendo e ajeitou em sua calça, na frente. Colocou os fones de ouvido, que jazia de um som agudo e estranho, mas no lugar de tentar arrumar a música, correu pelo beco até tropeçar em algo qualquer, o zumbido do fone fazia sua cabeça explodir de dor, e caiu, como em câmera lenta, ao encontrar com o chão, a arma desparou e o acertou a virilha. Urrou de dor. Um mendigo acordou assutado com os sons estridentes da noite, viu o moleque gritando e sangrando, já acostumado com cenas como aquela e com o coração corrompido pela podridão daquele mundo, deixou o moleque se arrastar e gritar até desmaiar de dor e futuramente morrer pelo sangramento da bala que o atravessou a virilha. Após um tempo o velho se levantou e pegou o mp3 player do moleque, ajeitou os fones no ouvido e tocava ali uma balada antiga - anos 50. Parou por um tempo observando aquele mp3 player com aparência infuncional tentando descobrir como diminuir o volume, mas não conseguiu. Não se importou e deu um sorriso largo e banguela pela nostalgia de sua época. Caminhou até o final do beco, observou a rua no final, o sol começando nascer logo à frente quase escondidos pelos prédios do mundo moderno. Uma lágrima escorreu em seu rosto pela primeira vez em décadas, a balada dos anos 50 estava terminando em seu mp3 player o som indo embora, a rua ainda vazia, os prédios modernos sendo iluminados pelo sol, o velho atravessou a rua sem cuidados e já não estava mais no subúrbio, mas sim num bairro de classe alta e um grande centro de mídia tecnológica da cidade. O mundo se tornou claro, seus olhos eram quase cegos para aquele cenário. Tirou os fones de ouvido, pegou o mp3 player que aparentemente tinha acabado a música e jogou no chão por não compreender mais a funcionalidade daquilo, o velho continuou caminhando.
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Continua.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Inconcebível

Quem pode amar,
amar por ser amado
tocar por ser sentido, ter sentido
de ser amado, por amar,
quem se pode amar?

Quem pode aceitar
ser amado, por amar
desejado pela falta,
pela falta, inerte, sonhar?

Por que você poderia rejeitar
aquele que te ama
por outros, a ti amar?

E quem pode sonhar um dia
sem amar, oh triste agonia,
viver em prol da alegria?

Poderias tu, apenas viver, em prol do amor que sente pelas pedras, que por ti foram lançadas à cruz pela primeira vez enquanto negava os sonhos que nutria pela vida, por todos, proibido, mas para ti, inconcebível.