sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Nota ao leitor

Escrever é algo complicado. Quando há tal desejo ou inspiração, você tenta trabalhar naquilo para surpreender alguém ou para desabafar para si mesmo, qualquer razão que seja. Se concentra, trabalha o seu melhor, ou tenta, quando é feito de paixão, se da uma importância íntima onde o simples é absurdamente complexo... subjetivamente é como um ato sexual. Sei que nunca deixarei de escrever, não pela vontade ou prazer, mas por simples necessidade. Tal necessidade que não sei explicar, ao menos enquanto sóbrio. Imagino que a realidade de um artista, escritor ou amante de qualquer obra é um incognoscível caos materialista, existencialista, racionalista, blá blá blá, que eleva a criatura ao paroxismo do ser e ao limbo da morte. A arte, em qualquer forma, é singela e expressionista. Possui um poder quântico infinito, desde que compatível ao seu espectador ou realizador.

Toda essa lenga lenga é para dizer que pretendo abandonar a escrita publica virtual. Não que eu seja contra ela, sou totalmente à favor, mas no momento, fazer parte deste universo, ou blogosfera, não é a opção. O blog não será excluído, nem mesmo a página no facebook ou minhas contribuições em outros blogs e projetos. Apenas preciso escrever um pouco para mim, quando vier a necessidade, uma escrita aos ares, ou simplesmente deixado numa orelha de caderno em que um dia esquecido será lido e terá seu valor (ou não, rs). Quando me for conveniente e oportuno, reutilizarei o espaço do blog para outros projetos ou artes, que seja. Algo que não faço ideia ainda do que, mas não importa, sei que algo será feito.

Enfim, esta é minha "deixa literária virtual", pelo menos por enquanto. Agradeço à todos que acompanharam meus delírios, e espero que futuramente possam continuar prestigiando, criticando e participando do meu trabalho.

Saudações.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Preguiça

dos meus problemas...
E dos outros, principalmente.

Não é o uso da expressão "Foda-se", mas a simples vontade e busca do "viver".

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Amo-te tanto.

     Seus olhos me desprezam. Este doce mel é meu leste, meu sol negro nascente. Seus lábios, vermelhos como o arrebol do oeste, sugam de minha própria boca a minha alma. O norte me manipula, obrigando o sul invocando à luxúria. Suas pernas me abraçam e os braços me revolvem em carícias sádicas. E geme. Amo-te tanto, que seus olhos me desprezam como se eu fosse um verme. Talvez eu mereça morrer neste momento.
     Sonhava com esta terra de corvos, e o ontem, quando você partiu, era sempre como o amanhã.
     Amo-te tanto que o passado conjuga o presente e o futuro remete ao passado como se eu mergulhasse numa compressão do tempo quando me envolveu e esqueceu a flecha em meu peito. Amo-te tanto, que me sacrifico.
Amo-te, sem promessas.
                                                                                            Ravens Land - Voltaire

domingo, 16 de setembro de 2012

Para qual pergunta?

 [tirem as próprias conclusões]

Desde que eu te busque com um sorriso que conjugue
os verbos que compõem o brilho do sorriso e da virtude
e dizia [...] eu te queria [...] eu te amava [...] eu sabia
eu me perguntava
Se a resposta eu sabia, você sabia, que o destino nos seguia
e os versos que consomem o brilho da alegria que dizia:
eu te queria, e me queria, e nos amando
nós diriamos

que a resposta era não.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Sem razão

O momento era quase depressivo. Estava semi-deitado em sua cama, apoiando, com postura nada exemplar, a cabeça de mal jeito na cabeceira nua; a ventoinha de seu notebook esquentava sua coxa e o monitor não tinha nada mais animado que uma barra piscando num fundo branco, vazio. Não sabia o que fazer, em certo momento, sabia que nada queria a não ser pensar, sua cabeça turbilhava em sofismas obscuros. Ao lado olhava sua estande de livros, não sentiu gosto por nenhum. Abaixo, seus jogos, e pensou, claro, em joga-los... na parede, longe. Fora do quarto, os outros cômodos estavam um caos. Ele queria não se importar. Na lateral direita de seu pescoço um músculo repuxava, contraído, lhe causando uma dor aguda - não se preocupava em como dormia nas ultimas noites. Entretanto, seu delírio era aproveitar tudo aquilo, aceitando. Ignorando. Aproveitava sua catarse, sem coesão, enquanto observava uma bela borboleta azul em seu quarto, como uma pequena flor do caos - o frio contra o corpo quente provocava calafrios semelhantes ao orgasmo - a primavera cantava em descaso, suas cores pálidas. Quase bipolar, queria chorar e rir, de dor e prazer, de tédio ou descaso sobre tudo. Observou, então, a borboleta que voava perdida e lembrou-se que nunca reparou em ver alguma borboleta à noite. Aquietou-se deitando, aquietou-se, pousando, a encarava, flor do caos. Começou digitar, versificar sua catarse: 

[Um caos, vazio
de um nada - cheio
de vazio do caos.]

Fechou a tampa do computador, virou-se e dormiu.

domingo, 2 de setembro de 2012

Foi claro, simples...

 veio do nada e se foi com tudo.
Deixou-me aos ares
como tudo levado
controladora do lastro
em equilíbrio, me calo
meu sentimento, roubado.

E continuo calado.

Sem coesão

É engraçado. Manter uma rotina de escrita sempre me ajudou desenvolver meus textos. Entretanto, nem sempre a obra é uma realização, afinal, escrever com vontade é o que realmente importa. A rotina pode gerar uma nata de desapego, com qualquer coisa. Não que eu tenha desapegado da escrita, mas percebi que meus textos passaram a ser a nata do ritmo, ignorando o verdadeiro conteúdo, então parei. Já faz quase um mês que não consigo escrever algo, é um recorde muito bem justificado pela minha falta de tempo devido a outras ocupações, mas no fundo, a necessidade de escrever encara a vontade, que por sua vez encara a criatividade, e no final deste duelo de sentidos não há nada. O paradoxo é que o desabafo ainda é uma obra, então o ritmo pode retornar a partir disso, o que é um desejo que encara a necessidade e volta ao duelo de sentidos. É ridiculo (hahaha). Ao menos me alegra ver belíssimas composições brasileiras, que ainda existem!, o que me inspira e ao mesmo tempo me cala. Ao menos temos ótimos exemplos. Mas não importa, vamos voltar à naturalidade... e deixe estar "engraçado".

domingo, 19 de agosto de 2012

Meu luto é o sacrifício de toda vitalidade, agradando as paredes e esperando respostas.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Triste menino sol

Vilipendiado na dor complacente
À espera de tudo,
o ar remanescente.
Coitado...
um vilipendiado benevolente.

Ele buscava pelo martírio,
sanado na dor
sorria.
Sorria para o dia quando amanhecia.
Dele, o dia sorria.

Homem coitado.
Olhe para ele...
pobre, vil, miserável.
Nem a lua o desejaria,
quem sabe o sol?

Não desejo a lua
talvez o sol.
A dor é mútua no arrebol.

Ali ele também nasce.
Mas também morre.
Venha, menino sol!
Talvez a terra te acolhe.
Anteriormente postado em Burrice bem polida

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Incognoscível tear do ser

Uma vez me disseram que o destino é inexorável. Que mitologicamente, a razão do viver de todas as espécies é um grande tecido fiado por três Marias, e que a sina - ou fio - de cada criatura se cruza, se rompe, se une umas às outras, dando história ao nosso curto período de tempo que passamos com ciência de que somos algo. De forma alguma não escolhemos nossa natureza, tampouco a nossa identidade. Como sábios, sabemos o que somos e até o que fazemos, como animais... agimos por impulsos nervosos, instinto - muito corrompido pela concessão da sanidade; e ainda não temos ciência de nossa consciência. Visualizar um ato, ou até mesmo o destino (ou sentido) de qualquer coisa não é ter controle. De fato, não posso discordar de que o destino é inexorável, caso eu visualize a morte. Também não posso discordar, caso eu visualize inúmeros eventos totalmente fora de nosso controle e/ou sabedoria. Entretanto, o fado não é imutável. Há pouco, uma senhora disse-me singelas palavras: "Sempre corra atrás de seus sonhos, não importa o quão difícil seja, você é um humano, e não uma peça em um tabuleiro esperando o turno em que um jogador qualquer vai te tirar do lugar."

E eu não preciso falar mais nada.

domingo, 5 de agosto de 2012

Sentido

Senti-me preso, acorrentado no calabouço do limbo do sentido da vida. A escolha era súbita e paradoxal. Entretanto... era bom. Vivemos grande parte do tempo como guerreiros nus em uma guerra injusta. Já não olhamos mais para o céu como um limite superior a nós, não olhamos mais ao chão como base para nossos pés; nosso sentimento autoritário nos tornou auto-suficientes perante nossa própria imagem, mas ainda dependemos de nossa mãe. E se a terra em que pisa não é o leito próprio para sua maternidade e natureza, será para sua morte. Caro espectador, enquanto não compreende o sentido da vida, você mata quem te criou. Enquanto não se acorrenta no calabouço do limbo do sentido da vida, não há liberdade. Alguns o chamam de amor, outros o chamam de deus, o sentido não importa, mas o seu assassinato é sem causa, seu suicídio... paradoxal.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Imortal

Imortal é o ser
que transcende,
seja na vida
e pela morte
a essência
da aura que o toma
e o torna vivo
em cada sentido
e fazem de si
e para todos...
Imortal.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Ilona e os fragmentos da lua

(escrito em 2010 para o blog O grito do pierrot)
Na praia, felizes, as crianças montavam seus reinos de areia, Ilona, uma doce garota, via todos aqueles castelos como um grande reino, de fato. Um castelo maior prosperava, outros, por ventura, eram destruídos pela água do mar que avançava, todas as casinhas, que não passavam morros de areia moldados por um balde, para a garota, formava a cidade. O castelo que ali reinava, construído por seu pai, refletia à luz da lua de uma linda noite de primavera. Era uma vez...

       Vestia-se com graça, como a princesa que era, linda, ainda que fosse uma criança com um sorriso inocente e brilho nos olhos. Passava boa parte do tempo sentada na sacada de seu quarto, onde podia sempre visualizar a lua no céu escuro que não havia estrelas desde o seu nascimento, exceto por uma grande e brilhante luz, a estrela d'alva. Por que não há mais estrelas no céu? - Ela se perguntava constantemente. Mas Ilona gostava da noite, a lua era sempre cheia, e durante os dias, a lua revelava outras faces. Aquele dia era seu aniversário de 12 anos, idade ideal para a consagração como princesa regente. Uma noite inteira de festas. Ao amanhecer, a princesa observou a lua mais uma vez, mas ela parecia triste, incoscientemente, a garota culpou a grande estrela que já roubava suas noite.
        O amor de Ilona pela lua parecia incognoscível, ao vê-la aparentemente triste, seus olhos enchiam de lágrimas. Ao observar a estrela d'alva todas as noites, seu coração parecia apertar. Um bufão daquele castelo amava Ilona assim como ela ama a lua. Ambos se divertiam, a princesa tinha um carinho especial pelo serviçal e adorava o chamar de bobo. Mas o bobo era capaz de ver a alma da garota, e, por saber de sua paixão, a presenteou com um brilhante colar de pérolas incomuns. Sorrindo, e com aqueles negros e grandes olhos, Ilona agradeceu pelo colar com um beijo no rosto do bufão - ela nunca se importou muito com os modos da realeza.
        O tempo é um mistério, lento ao seus olhos e rápido para sua mente, mas as vezes ele prega peças, é incompreensível. Ilona deixara de ser criança, nunca perdia o costume de observar a lua e a estrela, e naquela noite a princesa percebeu que a lua começava desaparecer do céu claro dando espaço para um brilho mais intenso da estrela d'alva. Ilona era forte, não ignorava suas razões para a felicidade, mas aquela angustia a tomava cada dia mais. Todos os meses o bufão a presenteava, um anel, um bracelete, tornozeleira, brincos, todos com a mesma pérola do colar de consagração, tudo em busca da felicidade da menina, parecia em vão. A garota guardava todos os presentes, agradecia, chorava.
         Sempre que um ciclo se completava a primavera presenteava a princesa com uma flor-de-lua. Aos 15 anos, Ilona era uma princesa à espera de seu príncipe, tornou-se uma linda mulher de cabelos longos e chacheados como uma cascata de ouro, olhos atentos, negros. Acordou feliz a ansiosa, esperando sua flor, correu para a sacada e ela não estava la. Olhou para o céu procurando a lua - assustou, a lágrima... impossível de se conter. 
          A lua não estava mais ali.
         Olhou para seu criado-mudo e percebeu que ali havia um pequeno embrulho, sabia que era mais um presente do bobo. Abriu delicadamente, a presilha de ouro brilhava e a pedra mostrava para Ilona, era a lua, ela sabia, como em todos os outros presentes.
        O bufão realmente amava Ilona, esta que agora tinha em suas mãos toda a lua. A garota chorava sempre, não compreendia, o coração pulsando em ritmo forte, inquieto, não compreendia. Como desejava, a cerimônia para seu noivado foi ao ar livre, no jardim do castelo à noite. Não queria aceitar o príncipe que a foi escolhido. A noite era marcada pela alegria de todo reino e a escuridão do infinito, não havia mais lua, mas Ilona desta vez sorria para a estrela d'alva que brilhava forte como nunca. Ao seu lado, também observando o céu, estava o bobo, e ao olhar para seus olhos, Ilona via os mesmos brilhos da estrela. Ela sabia, o bobo roubou seu coração.

- Minha querida, vamos embora? Está ficando tarde. - Sorriu para Ilona.
- Pai, o que significa meu nome? - indagou a garota com olhos de curiosidade. Seu pai apenas sorriu, abaixou-se e a abraçou apontando a lua que brilhava forte no céu em seu alegre sorriso minguante. - Filha da lua.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Reminiscências de noites sem fim

          Minha cabeça dói, sem esperanças. Minhas memórias vagas remetem àquelas noites em que eu podia acariciar seu corpo praticamente nu, em um toque tão leve capaz de sentir o veludo de sua pele. Você sempre deitava de bruços, os seios sobre os braços, seu rosto virado para mim e os cabelos repicados na altura do ombro tampavam seus olhos, mas nunca escondiam o seu sorriso incomparável, até que caía no sono. Sempre tive minhas pequenas razões para sorrir. Pego meus fones e estouro meus tímpanos para não ouvir o que vem de fora pelo meu caminho. Minha cabeça dói, sem esperanças, minha mente perturba com frequência involuntária, mal consigo dormir nesses últimos meses. O colchão já esta fundo, não oferece conforto, o travesseiro muito baixo, fungos tomam a parede do quarto, talvez de todo o prédio, que sofre de uma infiltração desgraçada e ninguém se importa, e meu trabalho é frustrante, sempre foi, você sabe disso.
Desde a ultima vez que te vi, para mim nada mais importa, naquele mesmo dia tirei esta foto, o céu de um azul claro, infinito, a luz refletia em seus cabelos pretos bagunçados pelo vento, os olhos claros, castanhos, brilhavam olhando pra mim como se aquele momento fosse eterno e o sorriso maroto, quieto. Minha terapeuta sempre diz "você precisa criar uma rotina que te faça fugir disso", mas na realidade, eu nunca quis fugir. São estas reminiscências de noites sem fim que as vezes me acalma... conversar contigo desta maneira, deitado, observando esta foto, as vezes choro, mas... ah, não importa. Sinto falta de sua voz, suas manias. Nunca beijava meus lábios ao desejar boa noite, mas beijava meu pescoço no topo próximo ao maxilar e não falava nada, sabia como aquilo me esquentava e era o suficiente para me entregar a Morfeu. Infelizmente, a morte é o destino da vida. E agora falo sozinho, sem coragem de olhar sua foto. Já estava doente quando te conheci, e nunca pareceu fraca.
Na ultima noite, beijou-me o pescoço, você dormira em paz, acariciei seu rosto enquanto chorava com medo do que poderia vir, quando dormi - sonhos abstratos, acordei gritando, acalmou-me com um beijo no rosto e disse “não se preocupe”. Fomos aproveitar o dia, caminhamos na praça, tirei aquela foto sua enquanto estava sentada e repentinamente o vento e as folhas secas tomavam e criavam a beleza do cenário. Parecia um presságio, um sinal, e o momento registrado para esculpir a eternidade. As 18hs recolheria-se para o hospital, o transplante era necessário, mas ela simplesmente me disse “quero que vá embora, como se este fosse um ótimo encontro, que realmente foi, quero que lembre de mim, eu não posso fugir disso, e eu não quero que esteja lá.” Lutei, fiz o máximo que pude, mas o hospital não permitiu minha visita. Suas últimas palavras para mim dizia em sussurro e lágrimas “eu sempre te amarei”, seu ultimo gesto... entregar-me uma folha de caderno dobrada. Nunca o abri.
Talvez agora seja o momento. - Levantei com pressa, esbarrei forte no criado-mudo arranhando meu braço, deixando os livros e o porta-retrato com sua foto caírem, abri a gaveta com ansiedade, baguncei os papeis e o encontrei. Deitei-me rapidamente e abri aquela folha já quebradiça, lá estava: “Todas as vezes que sentir um calor chegando à você em um intenso frio, saiba que foi um beijo que lhe enviei.” Era apenas o que estava escrito, palavras que nunca saíram da minha gaveta, capazes de me tomar, ouvir meu pulsar, sentir um calor intenso, um frio eloquente... nada mais precisa existir. 

terça-feira, 24 de julho de 2012

Espectador

Instiguei-me ao surrealismo. O que, por si só, já é surreal apenas pelo fato de estar numa prisão em que a única fonte de luz que tenho é uma pequena passagem para a realidade o suficiente para espiar com um de meus olhos. Uma vez que olho, e é dia, observo um sol girando em torno de um planeta vermelho, com manchas roxas e um enorme buraco que revela uma imensidão azul, cristalina. A paisagem é sempre de uma praia de águas agitadas. Quando é noite, o surrealismo se extingue, dando lugar à praia de águas calmas que refletem à luz da lua cheia um casal de enamorados nus se beijando lentamente na areia... como se a noite não tivesse fim. Deixo por alguns minutos de ser espectador daquele mundo fantástico. Encosto-me na parede e escorrego lentamente até que alcance o chão, em repouso, fecho os olhos e ignoro onde estou. Mentalizo o planeta avermelhado, sua imensidão azul e profunda, mergulho naquele mar e sinto meu corpo envolto em areia, a paisagem me revela mosaicos que mostram pinturas de guerra, desejos de paz, outrossim uma natureza exuberante. Quando volto a observar, os dias passam rápido, e a imensidão cristalina daquele planeta empalidece, o mar com o tempo acalma, como quando os dois amantes estão presentes, os ciclos se completam, eu fecho o olho e lá estou mais uma vez. Eu choro. Os anos passam. Empertiguei ao suicídio. Observo o mundo, é noite, é sempre noite agora. Em minha cela não há mais luz, e ao espiar la fora, não há esperanças. Os amantes não existem mais. Apenas vejo naquela areia, agora sem vida, assim como o mar que ali jazia, a mulher e o homem de costas para o outro, vestidos de um linho rasgado, pobre. O sol não existe mais, absorveu toda forma de vida que ali estava, o planeta, estranhamente rachado, no céu não há mais estrelas, e a lua, engolida pela areia. De minha cela, eu vejo solidão. Instiguei ao realismo.

sábado, 21 de julho de 2012

Sinestesia

Sonho todos os dias acordado,
me entregando
ao mundo onírico da sinestesia,
com a promessa
do prazeroso deslocamento de minha órbita,
buscando
a realidade em meio destes sonhos,
sentindo, forte
O abraço e o beijo deste anjo que espero aplacado
por um implacável mundo de sonhos.

Me encontraria na realidade
virtualizada
de ser bicho, verme, rato
se não tivesse a simples capacidade
em dizer e viver:

Sonhos são a concreta realidade abstrata
de sinas que se encontram e entrelaçam
buscando, entre o terror e a arte,
a realidade que lhes bate a face e mostra
o sentimento glorioso da verdade.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Catástrofe

O silêncio trafega em Ares,
o príncipe de um pântano (catástrofe).
Coaxa o sapo no silêncio,
o beijo o torna ressequido.
O sapo: príncipe sem lenço.

sábado, 14 de julho de 2012

O ser e o mar, viver(?)

O grito do mestre mostra
o mastro, caído, quebrado.

No barco [sem mastro] embarco
no barco, sem casco!

Que barco?

Do barco do mastro caído,
quebrado e sem casco.

Sem barco, afundo no mundo
calado, molhado, bizarro do mar.

No mar, molhado, bizarro, calado
qualquer barco com mastro,
caído, quebrado, afunda...
na ausência do casco.

Que barco sem casco,
com mastro caído, quebrado
é barco em que embarco?

A vida, calada, pesada, bizarra
permite que navegue sem base na água?

A vida permite ensaios do nada?

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Desperte ao delírio reinvento

Ela tinha olhos embriagados
A mente tranquila
e sonhos conturbados.
Os olhos amendoados
levemente acastanhados
Revelam
olhos como de Capitu.

Em desejos prateados
revelam sonhos!
O erotismo do encontro de coxas
a suavidade do encontro de lábios.

Embriagada com o amor
a virgem criava
     [o tabu de sua dor
de um ato puro
delinquente, excitado.

O crime lhe da ao fato
da escolha sem espaço
de crer
que a pureza de seu corpo
casto
se mostrava proibido aos prazeres da arte.

Arte, não do sexo desejado.
Ser a menina, a mulher que sonhara
exceto a dádiva do corpo arrepiado
desencarilhando sonhos prateados.

Reinventava o delírio
buscando na libido
pureza
espirito
do sonho, um sorriso

o sonho acabou.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

O vazio paradoxal

Determinado momento aconteceu neste blog faz muito, muito tempo. Eu sair do personagem [Arlequim], sem máscara alguma, e redigir alguma coisa sobre o que passa no vazio paradoxal de minha mente. Então, bem... vamos sair do baile e dançar mais um pouco.
-

Eu costumava refletir sobre tudo. Era um tanto quanto antenado, antes de dormir ou durante o banho me ocupava de grande tempo apenas pensando, mergulhando em meus sofismas e procurando conclusões, não importava sobre o quê. Com o tempo, com um processo quase natural, talvez forçado por qualquer tipo de obrigação que me toma grande parte do tempo (ou simplesmente viver), deixei de importar e me distrai. "Importar" não é bem a palavra correta, mas reflete a um poema que escrevi há muito tempo para um antigo blog, Burrice bem polida. Em resumo, o poema, lúdico, descrevia as preocupações de um garoto naturalmente ansioso sobre tudo ao seu redor, mas que, repentinamente, começou preocupar-se por estar com a mente limpa, sem as preocupações rotineiras. É onde eu erro no uso da palavra "importar" anteriormente, já que continuo me importando com tudo, até de forma mais comprometida que antes. Mas acredito que consegui demonstrar a ideia. Naquele poema, eu terminei com uma conclusão fora dos versos: "Soube, então, que o vazio era liberdade e sempre deixamos tudo preencher o vazio, mas nós, nunca o fazemos."

O vazio [da mente] é o espaço para a liberdade.

Mas nós nunca o preenchemos, nos ocupando de qualquer futilidade.
A mensagem ao titulo recebe reciprocidade. O vazio paradoxal que nos alvejou alguma vez em nossa vida é um espaço de grande fraqueza do ser para o aproveitamento, amadurecimento e progresso. Eu digo fraqueza, pois também é o momento em que muitos (inclusive eu) se encontram sem uma base, ou luz. Muitos nem se encontram. O vazio [da mente], o vazio paradoxal, é o espaço para a liberdade. No final das contas 'todo dia é um dia comum, até o momento em que não é mais', ou esperamos o destino, ou corremos atrás da liberdade.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Majestade...

- Sou mais santo que tu, Majestade - falou icônico.
O bobo levou um tapa.
- Sabes o que digo, Majestade.
O bobo levou outro tapa.

Bobo, Rei ou Majestade, todos controladores de si e sem controle de nada.

domingo, 17 de junho de 2012

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Versificar

O tempo que gasta
construindo tudo
no meio de um nada
é a poesia criada.

Confunde-se o tudo
ao nada se comparado
com o gasto dos versos
sobre a vida passada.

Diz-se hipócrita pelo próprio
mas não percebe que,

o tempo gasto em poesias são verdadeiras lembranças de uma outra vida.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Pressa

Estou sentado esperando o tempo
Pois pressa eu tenho e me contento
com a pressa que contenho.
Conto com a leveza da paciência que me perturba
Calma frieza de lentas corridas;
Pressa que tenho, eu
pela vida tão leve, calma e rubra.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Maria e o mar

Recanto e encanto
de Maria, surtada, em prantos
dançava e devaneava
amando o amargo
de sua inconstância.

O mar que a acalma, delira
em tal noite de delongas
encarando suas ondas

ondas do Mar
ondas de Maria

Tornava do delírio
sua fonte-vita.

domingo, 3 de junho de 2012

Que tal brilho me atente

Intensos brilhos que cegam nossos olhos
olhos ao brilho que mostram nosso ódio
brilhos intensos que cegam nosso ódio
ódio que cessa ao brilho de seus olhos.

Amor que grita em brilhos resplandecentes
de olhos claros, lacrimados, que cegam
                                           [minha mente]
e abre, meu peito, sem que eu nada pense
em enterrar o ódio antes que me queime.

Que tal brilho me atente.

Que me atente ao amor, atenção sem dor
de ter, e dar e ser tudo aquilo que,
simples, faça brilhar...
seus olhos.

Poesia

Faça jus
[e houve luz]
à poesia
que em suma
ilumina a vida.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Estranhos sonhos de Marilyn

Era como os sonhos de Marilyn
                             [por Marilyn]
o sorriso real, estampado
                             [tão claro]
mentiroso, safado
                             [tal sorriso]
comprometia
                             [Marilyn]
em seus sonhos corrompidos.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Resultado da promoção!

Como prometido para o dia de hoje, segue o resultado da promoção:

1º Lugar: Elisa Biazi e Arthur Lamounier, com o arte+poema "Discursão de carnavais passados" (Prêmio: poema homenagem+livro)
2º Lugar: Suzene Furtado, com a frase e montagem "Quando a vida me fizer de palhaço eu farei dela o meu circo." (Prêmio: poema homenagem)

Confiram as obras dos autores:

Por Arthur Lamounier e Elisa Biazi (clique para ampliar) 

Por Suzene Furtado (clique para ampliar)


Peço para que os vencedores entrem em contato comigo até o dia 1º de Junho informando endereço para envio dos prêmios. Os prêmios serão enviados até uma semana após contato.

Obrigado pela participação de todos!
Grande abraço.

terça-feira, 22 de maio de 2012

O ritmo da pausa

É o ritmo da pausa prudente,
pesada, silente,
dramática.

É o canto da ave que cala
ao som silente prudente
da pausa existente.

Da lágrima contente.
Do grito vertente.

Da pausa.
Do ritmo.

Da ave.
Do pio.

Mas tentava ser,
o grito
da alma.

Não passava de nada mais
que o ritmo
da pausa.


Paradoxo

Vamos nos redimir à falta de criatividade.
Se nada se pensa, nada se cria;
se nada se cria, pode ser que tudo se pensa.
Se tudo se pensa e nada se cria...
...o que pensamos senão nada?

Ainda sim penso, mas não crio.
E agora crio, sem pensar.

Isso só torna tudo ainda mais confuso.
E mais uma vez, sem conclusões.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Lastro

(Eu viveria)
Se não puxasse minha consciência para o fundo da terra, acreditaria eu que poderia viver com a cabeça nas nuvens.

Talvez até viva.

Se puxasse minha consciência para fora da terra eu saíria das nuvens.
(se puxasse minha consciência para fora de tudo.)

domingo, 13 de maio de 2012

Roadhouse blues

Sentado, em minha eterna paz e tomando um drink praticamente chamado solidão, observava aquela menina que dançava como se ninguém mais estivesse ali, estava quase estupefato. Morrison arranhava os vocais 'Let it roll, baby, roll' Algo me impressionava ao observar aquela garota. 'Do it, honey, do it'. os lábios dela se moviam com delicadeza. 'You gotta roll, roll, roll, you gotta thrill my soul, all right.' Ela cantava em silêncio e dançava. Tudo escurecia. Ainda dançava, agora me encarando, seus lábios ainda reproduziam em silêncio; 'The future's uncertain, and the end is always near'. Eu já estava perdido, cego.
"Let it roll, all night long..."

sábado, 12 de maio de 2012

A lua sorriu para mim

Pensava que sentiria um abraço
e os espíritos murmuravam
pois tinha de seus deuses
um tótem em meus braços.

A lua sorriu para mim,
e afastara
alguns males que faziam
de todos um abismo...
      (...de sonhos...)
...sem fim.

Abraça-me.

terça-feira, 8 de maio de 2012

E canta o palhaço

Versos líricos de pequenos descasos.
hilário
Pobre, coitado, palhaço.
escárnio
Refrões compostos de casos hilários.
descasos
Chora o palhaço.

domingo, 6 de maio de 2012

Dança de espectros

Num claustro, escuro
 o único fio rubro era o pouco de luz armazenada no fundo de meus olhos.
Eu fechava os olhos e podia ver.
O traço rubro, uma vermelhidão intensa se contorcia e desaparecia
pressionava os olhos e a linha reaparecia retorcida e duplicada.
Aqueles dois espectros dançavam sem forma e graciosidade, mas variavam do vermelho
amarelo
 até um branco impotente.
Após aquele baile, quando os dois espectros se tornaram uma só mancha,
 o branco se dissipou com clareza.
Abri os olhos
não havia mais luz
não haviam mais rastros
o baile acabou
e tudo era a forma
de um único vazio
os corpos chocados
um todo
.
.
.
onde criei amor.
Anteriormente postado por mim em Reminiscência

sábado, 5 de maio de 2012

Espelho de todos

E esconde o arlequim
sob a máscara, por puro medo
de ver a realidade que reflete
[em seu espelho.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Baile de sombras

Você, dê-me um beijo, dê-me seu amor, dancemos num baile de máscaras, pois sem ti, quem sou? Dê-me seu sangue, dê-me sua inocência, entre as lábias e carícias não há nada se não reminiscências. E quando nos beijarmos entre aquela dança, não tire sua máscara, não tirarei a minha, apenas durma...

 ...por toda eternidade.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Ininterrupto

Quem cala consente,
mas não sente que,
calando se entrega
ao consentimento alienado
de quem se cala
sobre toda hipocrisia.

Sentem que o sentido
se torna consenso
ao destino alienado criado pelo silêncio.

Não se cale.

Lute.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Costumes de um pretérito quase perfeito


Era de costume, Maria não precisava mais do despertador para acordar. Todos os dias às cinco horas e quarenta minutos estava de pé, colocava suas pantufas e seguia para o banheiro, lavava suas mãos e rosto, ia diretamente para a cozinha e preparava o café da manhã. Sempre muito simples, um pão francês puro e chá, mate ou camomila. Arrumava-se e ia para a faculdade. Ela classifica em seu próprio diário: “costumes de um pretérito quase perfeito”. Maria costumava também caracterizar ações, sentimentos e emoções, também em uma determinada parte do diário, estava escrito: “todos adjetivos de um pretérito quase perfeito”.
Sonhos sempre foram seu sopro de inspiração diária. Acredita que são capazes de expor seus verdadeiros sentimentos e responder as maiores dúvidas de uma garota. Ela os segue, ela pode ver e acredita.
Naquela manhã, ao acordar, aquela linda garota de olhos castanhos e amendoados e lisos cabelos loiros, sabia que algo estava diferente. Não sentiu fome, tentou tomar um café preto, estava quente demais. Apesar de não ter queimado a língua, cuspiu. Decidiu arrumar o cabelo por pura vaidade, saiu atrasada. Enquanto corria para a faculdade, que ficava a dois quarteirões de sua casa, encontrou-se numa praça que mais parecia um campo de flores vermelhas numa imensidão verde, as borboletas comuns dali pareciam fadas e suas asas azuis pareciam até brilhar ao sol, Maria perdida em um paraíso. Dormia como um anjo. Encara seus sofismas, se perde em devaneio, relembra de suas paixões, ela tem paixões. Uma garota de dezenove anos ama incondicionalmente sem perceber. Mas ela era como uma colombina e seus amores, perdida naquele campo, parecia nunca poder atravessá-lo, as fadas não a permitiam.
Manhã estranha. A praça estava diferente, ela via, era tudo diferente! Uma alegria constante, mas o medo a tomava. Sentada num banco enquanto observava as fadas, sorria e chorava. – Onde estou? – se perguntava toda hora. – Com quem estou? – Maria chorava ainda mais. Olhou em volta e percebeu todos aqueles que poderiam ser “Pierrôs” e “Arlequins”, todos bonecos de seu passado, amores esquecidos que ainda tomam conta do seu presente. Ela não sabia mais o que via. Tudo escureceu.
Acordou sem se lembrar de nada, às cinco horas e quarenta minutos. Como de costume, colocou as pantufas, seguiu para o banheiro, lavou mãos e rostos, correu para a cozinha e preparou seu lanche. Sabia que havia tido um sonho caótico (como gostava de defini-los em seu diário), pensou muito sobre isto enquanto se arrumava, com pressa pegou sua mochila e saiu correndo. Mesmo sem atraso, ela sempre tinha pressa.
Ao passar pela praça, muito parecida com a do sonho, viu as borboletas. As lembranças de seu sonho vieram à tona, assustou. Correu para a faculdade, queria encontrar Paulo, garoto por quem estava apaixonada. Paulo a esperava logo na entrada do prédio, Maria simplesmente correu e o abraçou. – O que foi, pequenina? – A garota nada respondeu, apenas chorou um pouco.
Paulo iria pedir Maria em namoro, tinha as alianças em mãos. Pensou se aquele era realmente o momento, com sua pequena garota chorando em seus ombros. Maria era apaixonada por Paulo, mas o via apenas como amigo. Alguns personagens de seu passado ainda tomavam conta de seus sentimentos. Como Alessandro, um amigo de infância e antigo namorado, ou Ricardo, garoto por quem foi encantada e também foi um amigo de infância, mas não se lembra bem, ou prefere não lembrar. Ambos os garotos presentes em sua vida, colegas de sala na faculdade. Maria não tinha controle sobre seus sentimentos, a um ponto de cegueira, sua mente era um conjunto de memórias, dúvidas e devaneios que formavam um caos. Ela não sabia bem o que era o amor, mas acha que ama demais sem saber o que (ou quem). Paulo tomou coragem, temendo uma possível decepção. – Maria, quer namorar comigo? – A garota não escutou. Ou fingiu não ter escutado. Ela simplesmente pediu desculpas depois de um tempo e foi para a sala de aula. Cumprimentou todos, era muito extrovertida. Viu Alessandro e Ricardo, apenas sorriu para eles.
Com o tempo era impossível não perceber, Maria estava estranha. De cabeça baixa, o professor dava aula e Maria parecia ignorar. Saiu da sala repentinamente,
correu para o banheiro e começou chorar mais uma vez. Seus sentimentos
gritavam. Lembrou-se dos “Pierrôs” e “Arlequins” que a observavam em seu sonho, eram eles, Paulo, Alessandro e Ricardo. Ela queria gritar. Compreender seus sentimentos. Pegou o seu diário, em busca de escrever e desabafar. Descreveu seu sonho de forma poética e obteve respostas.
“As fadas de meu destino
                        Cegueira de minha mente;
Livre como um abraço
Eu, uma eterna colombina.”
Maria sabia, apenas o tempo responderia suas dúvidas e acalmaria seus anseios. Voltou para a aula, deveria se permitir ter um bom dia.
Disse para Paulo – Eu quero.
            - Oi? – Paulo não percebeu
            - Devo ignorar os costumes de um pretérito quase perfeito. – Disse Maria olhando ao nada e sorrido.
            - Costumes... – respondeu Paulo, compreendendo, sorriu e tomou a garota aos seus braços.
(...)

sábado, 14 de abril de 2012

Fim

Os pássaros passaram despercebidos pelos prédios parados [recém construídos] e partiram para o paraíso.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Aqui eu dizia uma vez: eu me tornei generoso por todo meu egoísmo. Nobre Arlequim, que deixou de viver um mundo para viver sua mente, sem fundo.

domingo, 8 de abril de 2012

Em todo lugar.

Olho para a esquerda,
para a direita
até olho para cima
para baixo
Não te vejo, mas eu olho
para todos os lados.
Não te vejo, mas te olho.
Onde esta?

quarta-feira, 4 de abril de 2012

quarta-feira, 28 de março de 2012

Frio

Quanto mais expectativas sobre o que é incerto, mais decepções. Eleve sua euforia e se perca num limbo. Observe quantos se importam com você, saiba que isso mais depende de você mesmo. Chore, grite, murmure, o que há por fora não muda. Não muda nada. Não é nada. Nada.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Segurei a mão daquela menina
e olhou-me sem saber porque fazia aquilo.
Não me conhecia, se não por olhares
e me ouviu sorrindo:
                 "Não me perca, por mais que não me tenhas
                  uma vez que te tenho em meu peito, me perdi."
Riu das palavras clichês, sem muito compreender
e sorriu por ouvir aquilo, sem ainda compreender.
Perguntei seu nome,
         no mesmo momento respondi.
- eu sei.
As palavras sincronizadas geraram risos
Beijei sua face e fui
deixando para trás um incrível destino
que ainda se cruzaria.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Corpos nus sobre o asfalto

O Arlequim é um personagem da Commedia dell'arte
um teatro público, improvisado
filho da rua
sem rumo, sem destino, se não pela arte.

A obra criada aqui não sou eu.
O personagem citado aqui não sou eu.
As memórias citadas aqui, não sou eu.

São corpos nus sobre o asfalto
cada personagem, palavra, comédia, memória ou arte.
Sem dono, um teatro improvisado
sem rumo, sem destino

um emaranhado de versos ou simples palavras.

domingo, 18 de março de 2012

carta...


 algum dia, em algum lugar, em algum pedaço de papel
Para alguém.
De alguém.

"Pensando em você e em anáforas eu escrevi esta carta (primeiramente) em minha mente. Talvez deva ignorar os devaneios de meu banho, mas é um bom momento para se concentrar, melhor que o travesseiro, pois não há chances de dormir no meio do processo, acredito. Continue lendo se estiver de bom humor ou se crê que posso modificar-lo para melhor...

Acredito que o passado nos dê motivos para ações no presente. Acredito que um beijo pode selar um sentimento, assim como acredito que não pode significar nada se dado apenas pelo prazer. Acredito que o destino pode ser feito para nós, que Shakespeare me cansa ao falar que o destino está escrito em nós, mas me convence ao dizer que não está nas estrelas. Acredito que crio paradoxos que me fazem caminhar em zig-zag, por acreditar que devo saber de tudo quando não sei de nada. Acredito que a paixão é o sentimento mais hipócrita criado pelo homem, mas que ainda sim, existe. Acredito que uma amizade até marcada por caricias íntimas e uma distância sofrível seja a única coisa real que senti em tão pouco tempo. Eu acredito também que a distância sofrível (quanto às minhas vontades) seja um laço que nos prende e nos força caminhar em frente e pensar no outro sem razões para estagnar. Acredito que tudo pode mudar para melhor, não por esperança, mas pelo que vejo e vivo. E acredito não estar iludido, pois eu sei. E eu sei que acredito em muitas coisas. Talvez seja só esperança...
Acredito que penso obras quase dignas do romantismo americano, quase francês, de Fitzgerald e da literatura suícida digna de um nobel de Hemingway ao imaginar o futuro e o presente (na realidade acho que todos somos gênios literários que não conseguem se expressar no papel). E enquanto eu acredito em tanta coisa, tento imaginar o que eu realmente sei entre tudo que acredito.

Talvez eu saiba que o trabalho é cansativo e o ritmo de estudos é massante. Que a vida de adolescente é mais dificil do que parece, ou talvez do que devia, mas que no final das contas nos sacrificamos por tantas coisas que não importam ou o sacrifício não era necessário. Eu sei o que quero escrevendo esta carta: que não a dobre e coloque em seu diário, mas que fique exposta sempre que precisar acreditar em algo (mas talvez este lugar seja seu diario...ops). Acredito que no fundo você acredita em muito do que acredito, e uma coisa eu te falo, to cansando dessa palavra, mas é porque eu odeio repetição. Mas que tudo que passamos é ainda necessário (mesmo que eu acredite em outros caminhos e tenha criado um paradoxo). Não posso mais discutir com o destino.

Peço para acreditar em nossa promessa. Aquela que nunca dissemos um para o outro, mas que sempre desejamos, cada um de sua maneira, pois você é importante pra mim, e me sinto importante para você.

P.s.:
                                        ---
"

sábado, 17 de março de 2012

O barco

O barco navega na neve
em mar o barco sem vela, não vale
nem neva, não navega sem vela.

Era frio, na neve
o barco não navega sem vela
parado no mar, nevava

O barco sem vela a calhar.
O frio e a neve a calhar.

O homem no barco sem vela, com frio, sob neve... a remar.
O barco navega na neve.

quarta-feira, 14 de março de 2012

E a poesia, o que é?

Um sorriso estampado para cada lágrima de sangue. Como o Pierrot mascarado, que de todo seu amor por Colombina, mesmo com o sofrimento faz poesia. Dentro de cada criatura há um bardo, todos cantarolam músicas, se espelham em versos.
O clichê é parte da vida. O triângulo amoroso, versos de agonia, a saga heróica. Todos de alguma forma combatem o dragão do calabouço para salvar sua amada. Todos de alguma forma lutam contra o seu próprio medo para correr atrás de seu desejo.

Poetas versificam sua dor, versificam o amor.
Todos uma vez gritaram. Todos uma vez derramam lágrimas. Todos uma vez amaram.

Todos são poetas, tudo é poesia.
-----
Uma homenagem aos poetas, a todos, criadores de poesia. 14 de março, dia nacional da poesia.

domingo, 11 de março de 2012

Anjo

Abraçou-me como se eu fosse um amante, abriu suas grandes asas, negras como as de um corvo, envolveu-me, me escondendo do mundo e sugou o meu sangue, mais do que eu imaginaria ter. A mordida era delicada e sugava toda minha vitalidade, aos poucos eu morria em seus braços e ela dizia: "eu te amo."
Eu estava morto.
Envolveu-me com pernas e braços, não havia mais asas que eu pudesse ver, com um movimento súbito, beijou os meus lábios, eu parecia sonhar. Eu realmente só poderia estar morto.
Quando acordei, estava preso. Correntes seguravam meus braços suspendidos sobre minha cabeça, prendiam minhas pernas, meus joelhos semi-dobrados e meus pés deitados, torcidos, com o peito rente ao chão. Na cela, solidão. As correntes gritaram e riram, e o som delas, alto em minha cabeça, julgava: "Você matou o anjo! Extinguiu a luz e proclamou a escuridão em suas próprias asas!"

O anjo... sou eu.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Um olhar para o céu

Olho para o céu e vejo
Vênus e Júpiter.
Entre os deuses há um espaço vazio
e ainda posso ver Vênus maior que Júpiter.
O espaço no céu, continua vazio.
Vênus, filha de Júpiter, poderia ter dito:
         "Ame antes que o dia acabe, ame até que a noite termine."
Mas o espaço...
continua vazio
E ainda vejo Vênus maior que Júpiter.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Tome minha mão e juntos
com garras
garras, em guerra
vamos à guerra
com garra
de mãos dadas.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

...

Flores muitas vezes são tão românticas quanto as promessas tortas de amor eterno. Elas morrem. Viver é como navegar num barco frágil em águas traiçoeiras. Sentir, pode ser como navegar num barco virado, respirar debaixo d'água e continuar navegando, sem rumo, em um mundo invertido. Algumas pessoas, estas abençoadas com a coragem e outras grandes virtudes, entregam flores de plástico, réplicas idênticas, apenas sem odor e vida no objeto. Por resposta, são desprezados. Pessoas realmente amadas que perdem a oportunidade de viver algo realmente eterno. Pois apenas repararam nas flores, mas elas morrem...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Incompreensível

Percebe-se a escolha, compreensiva decisão.
O ato é inverso, 'ironia', como dizem.
Sente o desgosto.
Escute a si mesmo: a escolha não foi sua do mesmo jeito?
Incompreensiva decisão.
Sente o gosto.
Bom desgosto e mau gosto.

Destino: incerto aos nossos olhos e correto aos nossos erros.
Anteriormente postado em Burrice bem polida

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Drama

Acendeu um cigarro, tragou levemente.
Lendo um bom livro, bebeu do forte café
tragou novamente.
Virou a página, mais um gole
mais um trago
mais uma página
outro gole.
Queimou a lingua, riu

O hedonismo era a melhor via para o suicídio.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Eu; Corvo

Libertar-se há um dia minha alma para fora desta sombra?
Tesouros enterrados sob um chão de concreto
selado e guardado por sombrios espectros
de uma mente insana incapaz de compreender que
a 'minha alma para fora desta sombra que está caída e flutua sobre o chão
não se levantará
nunca mais.'

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A Canção da Espada, pg. 297 - Bernard Cornwell

"O amor é uma coisa perigosa.
           Vem disfarçado para mudar nossa vida. Eu havia pensado que amava Mildrith, mas aquilo era luxúria, se bem que por um tempo pensei que fosse amor. A lúxuria é a enganadora. A luxúria arranca nossa vida até que nada mais importe, a não ser quem pensamos amar e, sob esse feitiço enganador, matamos pela pessoa, damos tudo por ela, e então, quando temos o que queríamos, descobrimos que tudo é ilusão e não há nada ali. A lúxuria é uma viagem a lugar nenhum, a uma terra vazia, mas alguns homens simplesmente amam essas viagens e jamais se importam com o destino.
           O amor também é uma viagem, uma viagem sem destino além da morte, mas é uma viagem de contentamento."

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Esfera de raios

Como toda pequena vila em qualquer era em que a ciência é confundida com milagres, aquela havia em seu centro algo que simbolizava a proteção de todos os fieis. Normalmente uma igreja ficaria bem no centro e seria também o ponto mais alto, representando que há algo superior. A mania dos habitantes de usar gorros e chapéus já mostrava que há algo acima de nós. Enfim, no centro daquela vila havia algo pequeno. Seria imperceptível se não fosse considerado sagrado.

A estátua de um duende guardava a lápide de um antigo rei. Não que a monarquia tivesse marcado aquele lugar, qualquer ancião com sabedoria política e espiritual poderia ser considerado rei. Mas este rei nunca ninguém conheceu, apenas acreditam que ele um dia existiu e que era cego. O folclore dizia, através das cantigas dos bardos, que o rei apenas tinha um olho, mas era na realidade uma pequena esfera que atraía os raios quando haviam grandes tempestades, e que esses raios eram descarregados em infratores. Leis? Duas: contra o roubo e após o pôr-do-sol manter abrigado em qualquer lugar com paredes, não importava, cada cantiga dizia algo diferente, mas essas duas fazem parte da cultura daquela vila ainda hoje.

Alguns acreditavam que o rei não residia naquela sepultura, mas na realidade era o pequeno duende que foi petrificado, pois havia nele somente um olho e ele brilhava. Entretanto, o duende, ou o rei, que seja, não era adorado. Mas a pequena esfera simbolizava a justiça dos deuses. Uma pequena vila não precisa de um reino ou país, também não precisam de líderes quando o poder divino é real pela fé de seus habitantes. Mas nunca provaram sobre a verdade do poder daquela esfera em relação a lei que supostamente existia. Todos apenas tinham medo.

Em uma noite, uma criança sem medo (poderia ser chamado de ignorante por todos os povos, mas esbanjava sagacidade) saiu de sua cabana. Infrator, poderia ser chamado. Sua curiosidade o matava, pensou inocente "por que a noite tão linda e estrelada nos puniria?". Afinal de contas, percebia que em grandes tempestades os raios não caíam no mesmo lugar. Aproximou-se da lápide, encarou o duende. Por um momento o olho pareceu se mexer, mas era apenas um pequeno raio que correu refletindo ao redor da esfera. O garoto ficou maravilhado, sabia que o olho brilhava, mas aquela visão à noite realmente poderia ser considerado algo divino.

Ficou hipnotizado com tamanha beleza.

Pareceu ficar parado pela eternidade, e sua visão mudara. Parecia? Estava preso no corpo de um duende de pedra enxergando a pequena vila por um olho de raios. A vila nunca lembrou do pequeno garoto, que seria um pequeno rei por sua coragem. Mas a esfera de raios, nada mais era que uma esfera aprisionadora de almas. "Se uma alma é roubada, a pessoa nunca existiu", é como o folclore rezava em cada verso. Cada alma cria seu próprio paraíso ou seu inferno, o sonho daquele garoto era observar o mundo, e observou eternamente as pessoas sofrendo em busca de seus sonhos, mas paralisadas pelo medo.

Anteriormente postado em Burrice bem polida

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Labirinto de uma via só

Enquanto os que vivem no futuro se preocupam com o presente os que vivem no presente se preocupam com o futuro. Toda ordem da vida, que é, na realidade, uma desordem paradoxal, se baseia em nosso caminho do passado ao futuro, o que nos prende a um labirinto de uma via só. Por mais que mudemos nossas escolhas e falamos que estamos dando um passo para trás, estamos envelhecendo a cada suspiro e continuamos tropeçando apenas para frente. Andando, ou correndo. Alguns apenas esperam o caminho passar por ele.
Também vivemos nos preocupando com as pessoas que cercam nossas vidas. Como disse François-Marie Arouet (Voltaire), "o público é uma besta feroz. Deve-se enjaula-lo ou fugir dele." Estamos sozinhos, como qualquer lobo que sai de sua toca em grupo para caçar, mas a comida é escassa, apenas um na tocaia se alimentará.
Ou como desejava Manuel Bandeira, viver a delícia de poder sentir as coisas mais simples. Todos com o mesmo desejo, só um desejo.

Katatonia - Deliberation
(Clique para ouvir)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Brilho de ouro

Perdeu-se nas trevas de todas as eras,
rebanhado pelo brilho intenso do sol
percebeu, o garoto, pelo brilho do ouro
que as trevas nada mais eram
além da solidão de todas as gerações vívidas em regozijo.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Após alguns loucos acontecimentos, um pouco de nervosismo e um estágio incrível de euforia, percebi claramente - um maravilhoso insight quase poético - que se minha vida fosse um estabelecimento, eu seria um hospício. Por um momento tudo fez sentido. Mas já se tornou um caos novamente.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Latente

Quem me dera em meus sofismas
se eu um dia pudesse saber
o que vem além da morte
e o que há durante a vida.
Anteriormente postado no blog O grito do pierrot

Os poetas

Hipócritas dizem que sou poeta
e poeta sou
versificando a dor
me safando nela mesmo
me entregando à hipocrisia.
Poetas são hipócritas
fazem sua própria alegria.
.
Composta hipocrisia
e seus versos poéticos
fazem de todos hipócritas
criadores de versos.
.
.
.
.
Versos impressos.
 
Anteriormente postado no blog Burrice bem polida

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012


Nós, humanos, somos realmente........ uma grande comédia e arte. Este é um blog literário, seja um mínimo educado e CRITIQUE, faça e respeite este e qualquer espaço.

O grito

O bastardo gritou em vitória:
SALVE! SALVE! ESTA É MINHA GLÓRIA!
Eu ri em desgraça, de fato,

coitado...

...de mim e do bastardo.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Flor de Lua

Seguiam os lobos em matilha em busca do paraíso, e a lua alta, cheia, guiava os cães escravos do fado. No inverno a comida é escassa, apenas o brilho da lua alimentava os lobos, mas a fome era agravada pelas nuvens que cobriam a esperança.

Após um dia escuro e chuvoso, dormiram sob rochas que cediam abrigo num campo de brotos brancos e incomuns. Pensavam os cães que morreriam naquela noite com a ausência de sua mãe celeste. Ao cair da noite o céu estava negro como o ébano, sem um brilho sequer.

O líder da matilha, chorando, uivou em louvor à lua. Os sete lobos formaram um círculo e uivaram, como num canto de liberdade, esperança e dor. O primeiro broto se abriu. Aos poucos, sob o céu negro e o canto dos lobos, as flores se abriram, a luz era intensa, a lua estava lá. Eram flores de lua. E os cães seguiram seu destino com regozijo.

Já dizia o Arlequim: não há esperança sem luta, nem destino sem fé.
-
Originalmente postado por mim no blog Reminiscência

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O garoto comedor de rosas

Cultivava em seu quarto vasos de rosas. Pensavam as garotas, antes de em sua cama deitar o quão doce e delicado o garoto era, por rosas cultivar. Perguntou uma de suas meninas, qual rosa ele preferia?, vermelhas, brancas, rosadas ou amarelas, mas ele respondeu: orquídeas.

As rosas, ele comia.

As garotas, coitadas, que morriam após as núpcias, carregaram eternamente a dúvida. Por que diabos o garoto cultivava rosas se orquídeas ele mais gostava? Apenas ele sabia que por cada orquídea que sangrava, sofria. Então o garoto as amava. Pobres garotas que se transformavam em rosas.

Após a obscura alquimia, necessária para sua sobrevivência, o garoto se assustou quando uma de suas meninas não se transformou em uma rosa. Parecia uma maravílha que o mataria, a garota, esta que não era doce como as outras, se transformou em orquídea. Esta que permaneceu em seu leito, um vaso cristalino e reluzente, sangrou quando cada rosa naquele quarto murchou.

O triste fim do garoto era, coitado, a morte pela fome.

E a orquídea prosperou.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Eu me sinto tão sozinho e vazio, como nada eu sinto e realmente não há nada para sentir. É como se fosse o paroxismo do nada, e o nada em mim. Pois me sinto vazio, desta forma. É sem forma o que eu sinto, de tão abstrato e esquisito que posso comparar ao vazio, que não é nada! Que não é o nada.

Mas talvez não seja nada, vamos continuar nosso caminho.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

De fato nada é perfeito. Mas em seus modos imperfeitos... eu não reclamaria de tal perfeição.

Uma história qualquer

Aliterou como o sol
marcado pela tristeza, esplêndido
arrebol.
Nada as justificaria
dúvidas e sonhos, não esperava
                               [o fim, mas
acabou.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Eu sou

Eu sou o que desejo,
por isso eu sou amor
eu sou o que preciso
eu desejo o que não sou.

Eu sou o que eu preciso
por isso me dou valor
eu sou o que desejo
eu preciso o que não sou.

Eu sou luz,
eu sou escuridão
eu sou vida
eu sou dor.

Não há dor onde há luz,
não há vida na escuridão
entre a luz e a dor
escuridão e a vida

o que sou?

Cela, solidão.