terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Latente

Quem me dera em meus sofismas
se eu um dia pudesse saber
o que vem além da morte
e o que há durante a vida.
Anteriormente postado no blog O grito do pierrot

Os poetas

Hipócritas dizem que sou poeta
e poeta sou
versificando a dor
me safando nela mesmo
me entregando à hipocrisia.
Poetas são hipócritas
fazem sua própria alegria.
.
Composta hipocrisia
e seus versos poéticos
fazem de todos hipócritas
criadores de versos.
.
.
.
.
Versos impressos.
 
Anteriormente postado no blog Burrice bem polida

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012


Nós, humanos, somos realmente........ uma grande comédia e arte. Este é um blog literário, seja um mínimo educado e CRITIQUE, faça e respeite este e qualquer espaço.

O grito

O bastardo gritou em vitória:
SALVE! SALVE! ESTA É MINHA GLÓRIA!
Eu ri em desgraça, de fato,

coitado...

...de mim e do bastardo.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Flor de Lua

Seguiam os lobos em matilha em busca do paraíso, e a lua alta, cheia, guiava os cães escravos do fado. No inverno a comida é escassa, apenas o brilho da lua alimentava os lobos, mas a fome era agravada pelas nuvens que cobriam a esperança.

Após um dia escuro e chuvoso, dormiram sob rochas que cediam abrigo num campo de brotos brancos e incomuns. Pensavam os cães que morreriam naquela noite com a ausência de sua mãe celeste. Ao cair da noite o céu estava negro como o ébano, sem um brilho sequer.

O líder da matilha, chorando, uivou em louvor à lua. Os sete lobos formaram um círculo e uivaram, como num canto de liberdade, esperança e dor. O primeiro broto se abriu. Aos poucos, sob o céu negro e o canto dos lobos, as flores se abriram, a luz era intensa, a lua estava lá. Eram flores de lua. E os cães seguiram seu destino com regozijo.

Já dizia o Arlequim: não há esperança sem luta, nem destino sem fé.
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Originalmente postado por mim no blog Reminiscência

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O garoto comedor de rosas

Cultivava em seu quarto vasos de rosas. Pensavam as garotas, antes de em sua cama deitar o quão doce e delicado o garoto era, por rosas cultivar. Perguntou uma de suas meninas, qual rosa ele preferia?, vermelhas, brancas, rosadas ou amarelas, mas ele respondeu: orquídeas.

As rosas, ele comia.

As garotas, coitadas, que morriam após as núpcias, carregaram eternamente a dúvida. Por que diabos o garoto cultivava rosas se orquídeas ele mais gostava? Apenas ele sabia que por cada orquídea que sangrava, sofria. Então o garoto as amava. Pobres garotas que se transformavam em rosas.

Após a obscura alquimia, necessária para sua sobrevivência, o garoto se assustou quando uma de suas meninas não se transformou em uma rosa. Parecia uma maravílha que o mataria, a garota, esta que não era doce como as outras, se transformou em orquídea. Esta que permaneceu em seu leito, um vaso cristalino e reluzente, sangrou quando cada rosa naquele quarto murchou.

O triste fim do garoto era, coitado, a morte pela fome.

E a orquídea prosperou.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Eu me sinto tão sozinho e vazio, como nada eu sinto e realmente não há nada para sentir. É como se fosse o paroxismo do nada, e o nada em mim. Pois me sinto vazio, desta forma. É sem forma o que eu sinto, de tão abstrato e esquisito que posso comparar ao vazio, que não é nada! Que não é o nada.

Mas talvez não seja nada, vamos continuar nosso caminho.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

De fato nada é perfeito. Mas em seus modos imperfeitos... eu não reclamaria de tal perfeição.

Uma história qualquer

Aliterou como o sol
marcado pela tristeza, esplêndido
arrebol.
Nada as justificaria
dúvidas e sonhos, não esperava
                               [o fim, mas
acabou.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Eu sou

Eu sou o que desejo,
por isso eu sou amor
eu sou o que preciso
eu desejo o que não sou.

Eu sou o que eu preciso
por isso me dou valor
eu sou o que desejo
eu preciso o que não sou.

Eu sou luz,
eu sou escuridão
eu sou vida
eu sou dor.

Não há dor onde há luz,
não há vida na escuridão
entre a luz e a dor
escuridão e a vida

o que sou?

Cela, solidão.