sábado, 28 de janeiro de 2012

Flor de Lua

Seguiam os lobos em matilha em busca do paraíso, e a lua alta, cheia, guiava os cães escravos do fado. No inverno a comida é escassa, apenas o brilho da lua alimentava os lobos, mas a fome era agravada pelas nuvens que cobriam a esperança.

Após um dia escuro e chuvoso, dormiram sob rochas que cediam abrigo num campo de brotos brancos e incomuns. Pensavam os cães que morreriam naquela noite com a ausência de sua mãe celeste. Ao cair da noite o céu estava negro como o ébano, sem um brilho sequer.

O líder da matilha, chorando, uivou em louvor à lua. Os sete lobos formaram um círculo e uivaram, como num canto de liberdade, esperança e dor. O primeiro broto se abriu. Aos poucos, sob o céu negro e o canto dos lobos, as flores se abriram, a luz era intensa, a lua estava lá. Eram flores de lua. E os cães seguiram seu destino com regozijo.

Já dizia o Arlequim: não há esperança sem luta, nem destino sem fé.
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Originalmente postado por mim no blog Reminiscência

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