sábado, 25 de fevereiro de 2012

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Flores muitas vezes são tão românticas quanto as promessas tortas de amor eterno. Elas morrem. Viver é como navegar num barco frágil em águas traiçoeiras. Sentir, pode ser como navegar num barco virado, respirar debaixo d'água e continuar navegando, sem rumo, em um mundo invertido. Algumas pessoas, estas abençoadas com a coragem e outras grandes virtudes, entregam flores de plástico, réplicas idênticas, apenas sem odor e vida no objeto. Por resposta, são desprezados. Pessoas realmente amadas que perdem a oportunidade de viver algo realmente eterno. Pois apenas repararam nas flores, mas elas morrem...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Incompreensível

Percebe-se a escolha, compreensiva decisão.
O ato é inverso, 'ironia', como dizem.
Sente o desgosto.
Escute a si mesmo: a escolha não foi sua do mesmo jeito?
Incompreensiva decisão.
Sente o gosto.
Bom desgosto e mau gosto.

Destino: incerto aos nossos olhos e correto aos nossos erros.
Anteriormente postado em Burrice bem polida

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Drama

Acendeu um cigarro, tragou levemente.
Lendo um bom livro, bebeu do forte café
tragou novamente.
Virou a página, mais um gole
mais um trago
mais uma página
outro gole.
Queimou a lingua, riu

O hedonismo era a melhor via para o suicídio.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Eu; Corvo

Libertar-se há um dia minha alma para fora desta sombra?
Tesouros enterrados sob um chão de concreto
selado e guardado por sombrios espectros
de uma mente insana incapaz de compreender que
a 'minha alma para fora desta sombra que está caída e flutua sobre o chão
não se levantará
nunca mais.'

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A Canção da Espada, pg. 297 - Bernard Cornwell

"O amor é uma coisa perigosa.
           Vem disfarçado para mudar nossa vida. Eu havia pensado que amava Mildrith, mas aquilo era luxúria, se bem que por um tempo pensei que fosse amor. A lúxuria é a enganadora. A luxúria arranca nossa vida até que nada mais importe, a não ser quem pensamos amar e, sob esse feitiço enganador, matamos pela pessoa, damos tudo por ela, e então, quando temos o que queríamos, descobrimos que tudo é ilusão e não há nada ali. A lúxuria é uma viagem a lugar nenhum, a uma terra vazia, mas alguns homens simplesmente amam essas viagens e jamais se importam com o destino.
           O amor também é uma viagem, uma viagem sem destino além da morte, mas é uma viagem de contentamento."

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Esfera de raios

Como toda pequena vila em qualquer era em que a ciência é confundida com milagres, aquela havia em seu centro algo que simbolizava a proteção de todos os fieis. Normalmente uma igreja ficaria bem no centro e seria também o ponto mais alto, representando que há algo superior. A mania dos habitantes de usar gorros e chapéus já mostrava que há algo acima de nós. Enfim, no centro daquela vila havia algo pequeno. Seria imperceptível se não fosse considerado sagrado.

A estátua de um duende guardava a lápide de um antigo rei. Não que a monarquia tivesse marcado aquele lugar, qualquer ancião com sabedoria política e espiritual poderia ser considerado rei. Mas este rei nunca ninguém conheceu, apenas acreditam que ele um dia existiu e que era cego. O folclore dizia, através das cantigas dos bardos, que o rei apenas tinha um olho, mas era na realidade uma pequena esfera que atraía os raios quando haviam grandes tempestades, e que esses raios eram descarregados em infratores. Leis? Duas: contra o roubo e após o pôr-do-sol manter abrigado em qualquer lugar com paredes, não importava, cada cantiga dizia algo diferente, mas essas duas fazem parte da cultura daquela vila ainda hoje.

Alguns acreditavam que o rei não residia naquela sepultura, mas na realidade era o pequeno duende que foi petrificado, pois havia nele somente um olho e ele brilhava. Entretanto, o duende, ou o rei, que seja, não era adorado. Mas a pequena esfera simbolizava a justiça dos deuses. Uma pequena vila não precisa de um reino ou país, também não precisam de líderes quando o poder divino é real pela fé de seus habitantes. Mas nunca provaram sobre a verdade do poder daquela esfera em relação a lei que supostamente existia. Todos apenas tinham medo.

Em uma noite, uma criança sem medo (poderia ser chamado de ignorante por todos os povos, mas esbanjava sagacidade) saiu de sua cabana. Infrator, poderia ser chamado. Sua curiosidade o matava, pensou inocente "por que a noite tão linda e estrelada nos puniria?". Afinal de contas, percebia que em grandes tempestades os raios não caíam no mesmo lugar. Aproximou-se da lápide, encarou o duende. Por um momento o olho pareceu se mexer, mas era apenas um pequeno raio que correu refletindo ao redor da esfera. O garoto ficou maravilhado, sabia que o olho brilhava, mas aquela visão à noite realmente poderia ser considerado algo divino.

Ficou hipnotizado com tamanha beleza.

Pareceu ficar parado pela eternidade, e sua visão mudara. Parecia? Estava preso no corpo de um duende de pedra enxergando a pequena vila por um olho de raios. A vila nunca lembrou do pequeno garoto, que seria um pequeno rei por sua coragem. Mas a esfera de raios, nada mais era que uma esfera aprisionadora de almas. "Se uma alma é roubada, a pessoa nunca existiu", é como o folclore rezava em cada verso. Cada alma cria seu próprio paraíso ou seu inferno, o sonho daquele garoto era observar o mundo, e observou eternamente as pessoas sofrendo em busca de seus sonhos, mas paralisadas pelo medo.

Anteriormente postado em Burrice bem polida

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Labirinto de uma via só

Enquanto os que vivem no futuro se preocupam com o presente os que vivem no presente se preocupam com o futuro. Toda ordem da vida, que é, na realidade, uma desordem paradoxal, se baseia em nosso caminho do passado ao futuro, o que nos prende a um labirinto de uma via só. Por mais que mudemos nossas escolhas e falamos que estamos dando um passo para trás, estamos envelhecendo a cada suspiro e continuamos tropeçando apenas para frente. Andando, ou correndo. Alguns apenas esperam o caminho passar por ele.
Também vivemos nos preocupando com as pessoas que cercam nossas vidas. Como disse François-Marie Arouet (Voltaire), "o público é uma besta feroz. Deve-se enjaula-lo ou fugir dele." Estamos sozinhos, como qualquer lobo que sai de sua toca em grupo para caçar, mas a comida é escassa, apenas um na tocaia se alimentará.
Ou como desejava Manuel Bandeira, viver a delícia de poder sentir as coisas mais simples. Todos com o mesmo desejo, só um desejo.

Katatonia - Deliberation
(Clique para ouvir)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Brilho de ouro

Perdeu-se nas trevas de todas as eras,
rebanhado pelo brilho intenso do sol
percebeu, o garoto, pelo brilho do ouro
que as trevas nada mais eram
além da solidão de todas as gerações vívidas em regozijo.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Após alguns loucos acontecimentos, um pouco de nervosismo e um estágio incrível de euforia, percebi claramente - um maravilhoso insight quase poético - que se minha vida fosse um estabelecimento, eu seria um hospício. Por um momento tudo fez sentido. Mas já se tornou um caos novamente.