domingo, 11 de março de 2012

Anjo

Abraçou-me como se eu fosse um amante, abriu suas grandes asas, negras como as de um corvo, envolveu-me, me escondendo do mundo e sugou o meu sangue, mais do que eu imaginaria ter. A mordida era delicada e sugava toda minha vitalidade, aos poucos eu morria em seus braços e ela dizia: "eu te amo."
Eu estava morto.
Envolveu-me com pernas e braços, não havia mais asas que eu pudesse ver, com um movimento súbito, beijou os meus lábios, eu parecia sonhar. Eu realmente só poderia estar morto.
Quando acordei, estava preso. Correntes seguravam meus braços suspendidos sobre minha cabeça, prendiam minhas pernas, meus joelhos semi-dobrados e meus pés deitados, torcidos, com o peito rente ao chão. Na cela, solidão. As correntes gritaram e riram, e o som delas, alto em minha cabeça, julgava: "Você matou o anjo! Extinguiu a luz e proclamou a escuridão em suas próprias asas!"

O anjo... sou eu.

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