sexta-feira, 27 de abril de 2012

Baile de sombras

Você, dê-me um beijo, dê-me seu amor, dancemos num baile de máscaras, pois sem ti, quem sou? Dê-me seu sangue, dê-me sua inocência, entre as lábias e carícias não há nada se não reminiscências. E quando nos beijarmos entre aquela dança, não tire sua máscara, não tirarei a minha, apenas durma...

 ...por toda eternidade.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Ininterrupto

Quem cala consente,
mas não sente que,
calando se entrega
ao consentimento alienado
de quem se cala
sobre toda hipocrisia.

Sentem que o sentido
se torna consenso
ao destino alienado criado pelo silêncio.

Não se cale.

Lute.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Costumes de um pretérito quase perfeito


Era de costume, Maria não precisava mais do despertador para acordar. Todos os dias às cinco horas e quarenta minutos estava de pé, colocava suas pantufas e seguia para o banheiro, lavava suas mãos e rosto, ia diretamente para a cozinha e preparava o café da manhã. Sempre muito simples, um pão francês puro e chá, mate ou camomila. Arrumava-se e ia para a faculdade. Ela classifica em seu próprio diário: “costumes de um pretérito quase perfeito”. Maria costumava também caracterizar ações, sentimentos e emoções, também em uma determinada parte do diário, estava escrito: “todos adjetivos de um pretérito quase perfeito”.
Sonhos sempre foram seu sopro de inspiração diária. Acredita que são capazes de expor seus verdadeiros sentimentos e responder as maiores dúvidas de uma garota. Ela os segue, ela pode ver e acredita.
Naquela manhã, ao acordar, aquela linda garota de olhos castanhos e amendoados e lisos cabelos loiros, sabia que algo estava diferente. Não sentiu fome, tentou tomar um café preto, estava quente demais. Apesar de não ter queimado a língua, cuspiu. Decidiu arrumar o cabelo por pura vaidade, saiu atrasada. Enquanto corria para a faculdade, que ficava a dois quarteirões de sua casa, encontrou-se numa praça que mais parecia um campo de flores vermelhas numa imensidão verde, as borboletas comuns dali pareciam fadas e suas asas azuis pareciam até brilhar ao sol, Maria perdida em um paraíso. Dormia como um anjo. Encara seus sofismas, se perde em devaneio, relembra de suas paixões, ela tem paixões. Uma garota de dezenove anos ama incondicionalmente sem perceber. Mas ela era como uma colombina e seus amores, perdida naquele campo, parecia nunca poder atravessá-lo, as fadas não a permitiam.
Manhã estranha. A praça estava diferente, ela via, era tudo diferente! Uma alegria constante, mas o medo a tomava. Sentada num banco enquanto observava as fadas, sorria e chorava. – Onde estou? – se perguntava toda hora. – Com quem estou? – Maria chorava ainda mais. Olhou em volta e percebeu todos aqueles que poderiam ser “Pierrôs” e “Arlequins”, todos bonecos de seu passado, amores esquecidos que ainda tomam conta do seu presente. Ela não sabia mais o que via. Tudo escureceu.
Acordou sem se lembrar de nada, às cinco horas e quarenta minutos. Como de costume, colocou as pantufas, seguiu para o banheiro, lavou mãos e rostos, correu para a cozinha e preparou seu lanche. Sabia que havia tido um sonho caótico (como gostava de defini-los em seu diário), pensou muito sobre isto enquanto se arrumava, com pressa pegou sua mochila e saiu correndo. Mesmo sem atraso, ela sempre tinha pressa.
Ao passar pela praça, muito parecida com a do sonho, viu as borboletas. As lembranças de seu sonho vieram à tona, assustou. Correu para a faculdade, queria encontrar Paulo, garoto por quem estava apaixonada. Paulo a esperava logo na entrada do prédio, Maria simplesmente correu e o abraçou. – O que foi, pequenina? – A garota nada respondeu, apenas chorou um pouco.
Paulo iria pedir Maria em namoro, tinha as alianças em mãos. Pensou se aquele era realmente o momento, com sua pequena garota chorando em seus ombros. Maria era apaixonada por Paulo, mas o via apenas como amigo. Alguns personagens de seu passado ainda tomavam conta de seus sentimentos. Como Alessandro, um amigo de infância e antigo namorado, ou Ricardo, garoto por quem foi encantada e também foi um amigo de infância, mas não se lembra bem, ou prefere não lembrar. Ambos os garotos presentes em sua vida, colegas de sala na faculdade. Maria não tinha controle sobre seus sentimentos, a um ponto de cegueira, sua mente era um conjunto de memórias, dúvidas e devaneios que formavam um caos. Ela não sabia bem o que era o amor, mas acha que ama demais sem saber o que (ou quem). Paulo tomou coragem, temendo uma possível decepção. – Maria, quer namorar comigo? – A garota não escutou. Ou fingiu não ter escutado. Ela simplesmente pediu desculpas depois de um tempo e foi para a sala de aula. Cumprimentou todos, era muito extrovertida. Viu Alessandro e Ricardo, apenas sorriu para eles.
Com o tempo era impossível não perceber, Maria estava estranha. De cabeça baixa, o professor dava aula e Maria parecia ignorar. Saiu da sala repentinamente,
correu para o banheiro e começou chorar mais uma vez. Seus sentimentos
gritavam. Lembrou-se dos “Pierrôs” e “Arlequins” que a observavam em seu sonho, eram eles, Paulo, Alessandro e Ricardo. Ela queria gritar. Compreender seus sentimentos. Pegou o seu diário, em busca de escrever e desabafar. Descreveu seu sonho de forma poética e obteve respostas.
“As fadas de meu destino
                        Cegueira de minha mente;
Livre como um abraço
Eu, uma eterna colombina.”
Maria sabia, apenas o tempo responderia suas dúvidas e acalmaria seus anseios. Voltou para a aula, deveria se permitir ter um bom dia.
Disse para Paulo – Eu quero.
            - Oi? – Paulo não percebeu
            - Devo ignorar os costumes de um pretérito quase perfeito. – Disse Maria olhando ao nada e sorrido.
            - Costumes... – respondeu Paulo, compreendendo, sorriu e tomou a garota aos seus braços.
(...)

sábado, 14 de abril de 2012

Fim

Os pássaros passaram despercebidos pelos prédios parados [recém construídos] e partiram para o paraíso.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Aqui eu dizia uma vez: eu me tornei generoso por todo meu egoísmo. Nobre Arlequim, que deixou de viver um mundo para viver sua mente, sem fundo.

domingo, 8 de abril de 2012

Em todo lugar.

Olho para a esquerda,
para a direita
até olho para cima
para baixo
Não te vejo, mas eu olho
para todos os lados.
Não te vejo, mas te olho.
Onde esta?

quarta-feira, 4 de abril de 2012