segunda-feira, 9 de julho de 2012

Desperte ao delírio reinvento

Ela tinha olhos embriagados
A mente tranquila
e sonhos conturbados.
Os olhos amendoados
levemente acastanhados
Revelam
olhos como de Capitu.

Em desejos prateados
revelam sonhos!
O erotismo do encontro de coxas
a suavidade do encontro de lábios.

Embriagada com o amor
a virgem criava
     [o tabu de sua dor
de um ato puro
delinquente, excitado.

O crime lhe da ao fato
da escolha sem espaço
de crer
que a pureza de seu corpo
casto
se mostrava proibido aos prazeres da arte.

Arte, não do sexo desejado.
Ser a menina, a mulher que sonhara
exceto a dádiva do corpo arrepiado
desencarilhando sonhos prateados.

Reinventava o delírio
buscando na libido
pureza
espirito
do sonho, um sorriso

o sonho acabou.

4 comentários:

  1. Por mais que a donzela do poema seja previamente desenhada na primeira estrofe, ele nos dá a oportunidade de evocar as tantas donzelas perdidas nas lembranças ou nos presentes de nossas vidas... Belo poema, Pedro.

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    1. Presentes e perdidas em sonhos, sejam nossos, sejam próprios. O poema é literalmente interrompido com o ultimo verso "acabando com a graça", nos mostrando a realidade, seja simplemente acordar, seja toda vontade. Obrigado Sagrarius!

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  2. Interdisciplinaridade plena machadiana. É impressionante a tua capacidade de conciliar a suavização da personagem com o hiperbolismo erótico. Um conflito psicológico do eu-lírico. Um jogo de anseios e receios. Um excelente resgate da lembrança pela moça que de até certo ponto ainda ingênua. Fantástico, Anacleto.

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    1. Devo admitir que escrevi esse poema faz duas semanas, não postei, peguei ele esses dias, li, adicionei uma estrofe, depois peguei ele na data da postagem, modifiquei umas coisas e adicionei mais uma estrofe e ainda sim é um caos pra mim. É aquele tipo de lírica que você cria e se apaixona e anseia ao mesmo tempo. Muito obrigado!

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