quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Amo-te tanto.

     Seus olhos me desprezam. Este doce mel é meu leste, meu sol negro nascente. Seus lábios, vermelhos como o arrebol do oeste, sugam de minha própria boca a minha alma. O norte me manipula, obrigando o sul invocando à luxúria. Suas pernas me abraçam e os braços me revolvem em carícias sádicas. E geme. Amo-te tanto, que seus olhos me desprezam como se eu fosse um verme. Talvez eu mereça morrer neste momento.
     Sonhava com esta terra de corvos, e o ontem, quando você partiu, era sempre como o amanhã.
     Amo-te tanto que o passado conjuga o presente e o futuro remete ao passado como se eu mergulhasse numa compressão do tempo quando me envolveu e esqueceu a flecha em meu peito. Amo-te tanto, que me sacrifico.
Amo-te, sem promessas.
                                                                                            Ravens Land - Voltaire

domingo, 16 de setembro de 2012

Para qual pergunta?

 [tirem as próprias conclusões]

Desde que eu te busque com um sorriso que conjugue
os verbos que compõem o brilho do sorriso e da virtude
e dizia [...] eu te queria [...] eu te amava [...] eu sabia
eu me perguntava
Se a resposta eu sabia, você sabia, que o destino nos seguia
e os versos que consomem o brilho da alegria que dizia:
eu te queria, e me queria, e nos amando
nós diriamos

que a resposta era não.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Sem razão

O momento era quase depressivo. Estava semi-deitado em sua cama, apoiando, com postura nada exemplar, a cabeça de mal jeito na cabeceira nua; a ventoinha de seu notebook esquentava sua coxa e o monitor não tinha nada mais animado que uma barra piscando num fundo branco, vazio. Não sabia o que fazer, em certo momento, sabia que nada queria a não ser pensar, sua cabeça turbilhava em sofismas obscuros. Ao lado olhava sua estande de livros, não sentiu gosto por nenhum. Abaixo, seus jogos, e pensou, claro, em joga-los... na parede, longe. Fora do quarto, os outros cômodos estavam um caos. Ele queria não se importar. Na lateral direita de seu pescoço um músculo repuxava, contraído, lhe causando uma dor aguda - não se preocupava em como dormia nas ultimas noites. Entretanto, seu delírio era aproveitar tudo aquilo, aceitando. Ignorando. Aproveitava sua catarse, sem coesão, enquanto observava uma bela borboleta azul em seu quarto, como uma pequena flor do caos - o frio contra o corpo quente provocava calafrios semelhantes ao orgasmo - a primavera cantava em descaso, suas cores pálidas. Quase bipolar, queria chorar e rir, de dor e prazer, de tédio ou descaso sobre tudo. Observou, então, a borboleta que voava perdida e lembrou-se que nunca reparou em ver alguma borboleta à noite. Aquietou-se deitando, aquietou-se, pousando, a encarava, flor do caos. Começou digitar, versificar sua catarse: 

[Um caos, vazio
de um nada - cheio
de vazio do caos.]

Fechou a tampa do computador, virou-se e dormiu.

domingo, 2 de setembro de 2012

Foi claro, simples...

 veio do nada e se foi com tudo.
Deixou-me aos ares
como tudo levado
controladora do lastro
em equilíbrio, me calo
meu sentimento, roubado.

E continuo calado.

Sem coesão

É engraçado. Manter uma rotina de escrita sempre me ajudou desenvolver meus textos. Entretanto, nem sempre a obra é uma realização, afinal, escrever com vontade é o que realmente importa. A rotina pode gerar uma nata de desapego, com qualquer coisa. Não que eu tenha desapegado da escrita, mas percebi que meus textos passaram a ser a nata do ritmo, ignorando o verdadeiro conteúdo, então parei. Já faz quase um mês que não consigo escrever algo, é um recorde muito bem justificado pela minha falta de tempo devido a outras ocupações, mas no fundo, a necessidade de escrever encara a vontade, que por sua vez encara a criatividade, e no final deste duelo de sentidos não há nada. O paradoxo é que o desabafo ainda é uma obra, então o ritmo pode retornar a partir disso, o que é um desejo que encara a necessidade e volta ao duelo de sentidos. É ridiculo (hahaha). Ao menos me alegra ver belíssimas composições brasileiras, que ainda existem!, o que me inspira e ao mesmo tempo me cala. Ao menos temos ótimos exemplos. Mas não importa, vamos voltar à naturalidade... e deixe estar "engraçado".